Náutico é exemplo para Corinthians evitar rebaixamento

Sem perspectiva de receber salários e premiações, jogadores do time pernambucano reagiram no Brasileirão

Cosme Rímoli, Jornal da Tarde

02 de outubro de 2007 | 21h42

Se a diretoria do Corinthians quiser seguir o caminho do Náutico, time que conseguiu a maior reação no Campeonato Brasileiro, os jogadores que se preparem. A fórmula do time pernambucano é simples: atrasar salários e premiação. "Nós apelamos para a vergonha na cara dos jogadores. O rebaixamento seria a pior coisa para o clube e para as suas carreiras. E eles reagiram sem dinheiro, sem prêmio a mais, sem nada", diz o presidente Ricardo Valois.  "O Náutico é o clube que tem maior dificuldade financeira no Brasileiro. Nós estamos fazendo jantares e rifas para tentar ajudar a pagar a folha de pagamento e premiações que estão mesmo atrasados quase dois meses. É a vergonha na cara que pesa nessa hora. Ao invés do rebaixamento, estamos pensando é na Sul-Americana", afirma Valois. "Os jogadores confiaram no treinador, e o treinador confiou nos atletas. Nessa hora, o que conta é a união e esquecer de tudo, até do dinheiro", assegura o treinador Roberto Fernandes, que era torcedor do Náutico de freqüentar as arquibancadas do Estádio dos Aflitos. O clube pernambucano passou quatro rodadas na última colocação do Brasileiro. E nada menos do que 20 rodadas na zona de rebaixamento. Depois de uma seqüência incrível de cinco vitórias consecutivas, o time está na 13ª colocação e tem o vice-artilheiro do Brasileiro, o uruguaio Acosta. Além da vergonha na cara e da união, houve uma profunda mudança de rumo. O treinador Paulo Cesar Gusmão e seu esquema ofensivo fracassaram. Assim como Gleguer, Marcel, Valencia, Beto e Cris. Todos foram dispensados. Os jogadores foram embora depois de uma vexatória derrota no clássico contra o Sport por 4 a 1. Os mesmos que organizaram uma greve por causa da falta de pagamento.A diretoria contratou jogadores da Série B e continuou a atrasar salários e premiação. E os dirigentes enfrentaram a torcida, que exigia a saída de toda a diretoria. Da ousadia irresponsável de PC Gusmão que chegou a colocar o fraco time no esquema 4-3-3, Fernandes enfrentou a realidade. Tratou de organizar o humilde 3-6-1, que muitas vezes, durante os jogos, depois de o time abrir vantagem, muda para o 3-7-0. O mentalidade é somar pontos da maneira que der. Com o passar dos jogos, o time pernambucano foi ganhando colocações e confiança, a ponto de o treinador criar coragem para colocar dois atacantes fixos, uma revolução tática. Artilheiro No impressionante processo de recuperação do Náutico, um jogador foi fundamental: Acosta. Chegou de graça depois que acabou seu contrato com o Peñarol. Ele impressionou a diretoria em um DVD. "Ele chegou na hora certa. Foi importante porque cresceu de acordo com a importância das partidas. E por sinal acabamos de renovar nesta terça-feira o seu contrato por mais um ano. Colocamos uma multa rescisória (R$ 3,6 milhões) irrisória pelo talento que ele tem", esnoba o presidente Valois. Sobre o Corinthians, o dirigente do Náutico trata de alertar os dirigentes paulistas. "Não estamos mais na época em que o peso da camisa evitava rebaixamento ou incentivava virada de mesa. Que o diga o Palmeiras, o Grêmio, o Botafogo, que caíram e tiveram de voltar em campo, jogando a Série B. O Corinthians precisa se cuidar mesmo. O time está caindo, quando deveria reagir. Os torcedores também estão jogando contra, pressionando os atletas. O time já entra nervoso em campo. É o pior que pode acontecer. Todos percebem a insegurança que domina o time. Para mim não é o dinheiro que garante os bons resultados. É a confiança. E isso está faltando para o Corinthians. Ele que se cuide."

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