Osman Orsal/Reuters - 3/11/2009
Osman Orsal/Reuters - 3/11/2009

Negociação de Tabata em 2008 é um mistério no Santos

Dirigentes querem saber onde foram parar US$ 200 mil e se o meia-atacante está emprestado ou foi vendido

Alex Sabino, Jornal da Tarde

23 de fevereiro de 2010 | 08h32

O Santos vai à Fifa para esclarecer de vez o caso Rodrigo Tabata. O clube já apelou à Federação Turca, ao Goiás e ao Gaziantepspor para entender uma negociação de empréstimo que se transformou em venda do dia para a noite. "Estamos achando que ele ainda é nosso jogador, vamos acionar a Fifa", afirmou o presidente Luis Álvaro de Oliveira.

Mas a questão já nem é mais apenas essa. Quanto mais os dirigentes desvendam o emaranhado de faxes e contratos, mais estranha a negociação se torna. O Jornal da Tarde obteve cópia dos documentos da transação, assinados pelo ex-presidente Marcelo Teixeira e pelo mandatário do clube turco, Ibrahim Kizil.

Em julho de 2008, o Gaziantepspor enviou à Vila Belmiro oferta para obter Tabata por empréstimo. A diretoria queria se livrar de qualquer jeito do salário de R$ 150 mil do meia, contratado por R$ 3,2 milhões em 2006. A equipe paulista tinha 50% dos direitos. A outra metade era do Goiás.

O primeiro ponto estranho é o valor do empréstimo. Por fax, Kizil ofereceu US$ 700 mil (R$ 1,2 milhão, pela cotação desta segunda-feira). Em seguida, o Goiás recebeu notificação santista sobre as tratativas. Mas, quando foi redigido o contrato, constatou-se que a liberação saiu por US$ 500 mil (R$ 905 mil) em três prestações.

Entre a proposta inicial e a finalização, o preço caiu US$ 200 mil (R$ 362 mil. "É uma negociação muito nebulosa, ainda não temos ideia do que aconteceu ao certo. Prefiro esperar para fazer qualquer juízo de valor", disse Luis Álvaro.

Tabata foi emprestado até 2011. O documento era claro: para comprá-lo, o Gaziantepspor teria de pagar 1,5 milhão de euros (R$ 3,6 milhões). Isso ocorreu em julho de 2009, mas o Santos não embolsou nada. Foi tudo para o Goiás. "Nós recebemos tudo o que era correto. Para nós, é um caso encerrado", comentou o presidente do time goiano, Syd de Oliveira.

No fim das contas, os 50% do Santos valeram R$ 2,7 milhões a menos que os 50% do Goiás. Percebendo que havia feito péssimo negócio, a diretoria pediu mais dinheiro para dar a liberação em definitivo. A equipe turca recusou e semanas depois o vendeu para o Besiktas por 8 milhões de euros (R$ 19,6 milhões). Mesmo sem o atestado liberatório, a Federação Turca autorizou o registro.

Nos arquivos da CBF, Tabata é jogador emprestado. Legalmente, ainda é do Santos. "Nós queríamos receber também 1,5 milhão de euros para liberá-lo", declarou o ex-vice-presidente Norberto Moreira.

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