Felipe Rau/Estadão
Pai de Neymar é quem gerencia com rigor a carreira do atacante Felipe Rau/Estadão

Negociador implacável, pai de Neymar é quem decidirá futuro do craque

Atacante do Barcelona pode reforçar Paris Saint-Germain em conversas conduzidas por empresário considerado ganancioso

Ciro Campos, Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2017 | 07h00

O empresário Neymar Silva Santos estará neste fim de semana em Paris para discutir a transferência do filho, Neymar, do Barcelona para o Paris Saint-Germain. Os números da transação são absurdos. A multa rescisória está estipulada em 222 milhões de euros (R$ 810 milhões) – a maior da história – e o time francês ofereceu salário anual ao atleta de 40 milhões de euros (R$ 148 milhões), o maior do mundo. 

Neymar, obviamente, foi seduzido pelos valores. O salário de R$ 148 milhões supera os ¤ 38 milhões (R$ 138 milhões) de Tevez na China. É mais que o dobro dos 15 milhões de euros (R$ 54 milhões) que ele próprio recebe no Barcelona. O valor é superior até ao que ganham os donos do mundo: Lionel Messi embolsa ¤ 24 milhões (R$ 87 milhões) e Cristiano Ronaldo, 21 milhões de euros (R$ 76 milhões). 

O brasileiro aprovou também o projeto francês que o colocaria como o número 1 da equipe e grande trunfo para a conquista da Liga dos Campeões da Europa. No salto que o clube francês pretende dar, Neymar é a mola mestra em um contrato de cinco temporadas. Em Barcelona, Neymar estará sempre à sombra do argentino Messi. Isso pesa para o atacante. 

Com a inclinação de Neymar pelo "sim", o desafio dos franceses agora é sentar à mesa com Neymar pai. "Ele é uma pessoa gananciosa", diz um advogado que acompanhou de perto a ascensão do craque. "Colocou Neymar numa fria porque queria mais dinheiro", completa. 

A "fria", no caso, são as suspeitas de irregularidade na transferência para o Barcelona. Em junho, a Justiça espanhola inocentou o atacante, seus pais e a empresa N&N da acusação de fraude e simulação de contratos movida a partir de uma denúncia do fundo de investimentos brasileiro DIS. A segunda parte da acusação, de corrupção entre particulares, está mantida. O jogador e seus pais vão ter de comparecer a uma audiência na Espanha ainda neste ano. 

O Barcelona anunciou a contratação de Neymar por 57,1 milhões de euros (R$ 208 milhões). Mas a Justiça espanhola calcula que a transação foi de 83,3 milhões de euros (R$ 303 milhões). A DIS considera que Neymar e o Barcelona ocultaram o valor real. 

Neymar pai não é do tipo que dá soco na mesa. Ele mantém a calma e fala baixo. Toma cuidado com os erres e esses no final das frases. Mas dificilmente cede e gosta de fazer exigências. O valor do salário de Neymar, por exemplo, os 40 milhões de euros, foi uma exigência dele. Um ex-funcionário do Santos disse que ele se parece com um trator. Por meio de sua assessoria, o patriarca afirmou que "não está fazendo agenda de imprensa".

Em junho, Neymar pai conseguiu um registro na CBF para ser um intermediário, ou seja, agente de jogadores. Seu principal cliente é seu filho, mas ele já auxilia o santista Lucas Lima. 

Sua maior preocupação na negociação com o PSG é a questão tributária, que causou imbróglio até no Brasil. As empresas de Neymar haviam sido condenadas pela Receita Federal a pagar R$ 188 milhões por supostas irregularidades, mas um recurso reduziu o valor para menos da metade. O presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, prometeu o fim dos problemas fiscais. 

A fama de negociador implacável – outro adjetivo que aparece com frequência – é o resultado de uma vida difícil. Quando encerrou a carreira de ponta em times da segunda divisão, aos 32 anos, ele voltou para a casa dos pais. Morava com a esposa Nadine e os dois filhos em um cômodo de 2 por 3 metros quadrados. Neymar Júnior tinha seis anos. 

O carro da família era uma Kombi, cujo assoalho era um pedaço de madeira. Conseguiu um emprego na CET de Santos e chegou a ser chefe de manutenção. Parou de trabalhar em 2009, quando a carreira de Neymar deslanchou. Agora negocia outro salto milionário. 

 

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Filho de pescador e ex-tenista pode concretizar maior contratação da história

Presidente do Paris Saint-Germain aposta no poderio financeiro para trazer Neymar por cifras milionárias

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2017 | 07h00

Cabe a um ex-jogador de tênis, o catari Nasser Ghanim Al-Khelaifi, a missão de tirar o astro Neymar a fórceps da companhia de Messi e Suárez no Barcelona e levá-lo ao Paris Saint-Germain. Diretor-presidente do clube de Paris, o empresário articula junto ao fundo de investimentos Qatar Sports a fábula de R$ 810 milhões, fora os salários, a ser destinada ao clube catalão como indenização pelo recrutamento do brasileiro. Tudo em nome do maior objetivo da equipe: a conquista da Liga dos Campeões da Europa na temporada 2017-2018.

Filho de pescadores, de família modesta, e ex-atleta medíocre no cenário internacional, Al-Khelaifi tem trajetória de sucesso no Catar. Próximo do emir do país, Tamim ben Hamad Al Thani, ex-dirigente da Autoridade de Investimento do Catar – o fundo soberano do país –, tornou-se político e depois homem de negócios. Foi presidente do grupo de mídia beIN, canal esportivo que arrebatou os direitos de transmissão de grandes campeonatos. A seguir, foi nomeado presidente do PSG, logo após a compra do clube pelo fundo catari em 2011.

A desconfiança em torno de sua gestão foi pouco a pouco diminuindo até quase desaparecer aos olhos dos torcedores mais fanáticos quando o dirigente decidiu reintroduzir as torcidas organizadas, as "ultras", do PSG. Banidas das arquibancadas do Parc des Princes por violência e extremismo político, voltaram no ano passado e agradecem o resgate ao catari.

Habilidoso na contratação de craques – graças sobretudo à conta bancária do clube –, Al-Khelaifi foi eleito em 2015 pela rede ESPN a sétima personalidade mais influente do futebol mundial, mas quase perdeu o posto. Depois de apostar alto na contratação de Unai Emery como treinador, o PSG amargou o vexame da eliminação para o Barcelona do Camp Nou em humilhante 6 a 1, revertendo a vitória de 4 a 0 em Paris.

Em junho, após o fracasso e a nomeação de novo diretor esportivo, Antero Henrique, Al-Khelaifi chegou a insinuar possível demissão do cargo. Mas um mês e meio depois a ambição de tornar o clube campeão da Europa parece ainda estimulá-lo.

Depois de contratar mais um brasileiro, Daniel Alves, para a equipe, Al-Khelaifi agora estaria negociando pessoalmente os detalhes da eventual transferência de Neymar ao PSG. 

Segundo o jornal Le Parisien, a contratação de Neymar, que seria a maior da história, é parte do projeto de Al-Khelaifi de oferecer ao PSG seu trio espetacular, com Neymar, Cavani e Alexis Sanchez, hoje no Arsenal, mas também na mira. 

A questão em Paris é como equacionar a fortuna necessária para as contratações. Um dos caminhos especulados é a renegociação do contrato entre PSG e a companhia aérea Emirates, que rende ao clube entre 25 milhões de euros (R$ 91,2 milhões) e 28 milhões de euros (R$ 102,2 milhões) por ano, valor que se soma aos 23 milhões de euros (R$ 83,9 milhões) da Nike. Os contratos são bem inferiores aos do Barcelona, clube com a terceira camisa mais valiosa do mundo, com 35 milhões de euros (R$ 127,7 milhões) da Qatar Airways e 80 milhões de euros (R$ 292 milhões) da Nike.

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