´Nem acreditei que jogaria no Brasil´, diz paraguaio Florentín

Das seis tatuagens que o palmeirense Florentín carrega no corpo, uma, nas costas, é especial: a do irmão Adriano, morto ainda na maternidade, há dois anos. ?Ele morreu por negligência dos médicos. Isso me marcou muito". O paraguaio conta que pensa no irmão sempre. ?Antes de todos os jogos eu penso nele e faço uma oração.?Nesta entrevista exclusiva ao Portal Estadão, Florentín revela seu lado religioso, fala de sua adaptação ao Brasil, conta que sempre foi fã de pagode e novela, e que pretende logo acabar com a desconfiança da torcida. Como? ?Com gols e raça?, ele avisa. Portal Estadão - Você jogou 20 minutos contra o Ituano. Está pronto para atuar num jogo inteiro, talvez já contra o Bragantino, sábado? Florentín - Sim, estou inteiro para os 90. Só depende do treinador. Ninguém te conhecia aqui no Brasil. Sua contratação se deu por DVD. Isso ainda te incomoda? Quando meu empresário disse que eu jogaria no Brasil, nem acreditei. Depois fiquei muito empolgado. Sobre a desconfiança, tenho que mostrar serviço em campo. Não adianta ficar falando muito.As pessoas esperam que você seja centroavante, fixo na área, o homem para fazer gols. É essa mesmo a sua função? Sim, sempre joguei assim. Em todos os lugares onde joguei, felizmente, consegui fazer muitos gols. Espero que seja assim aqui também.Com 22 anos, você já jogou no Paraguai, na Argentina, no Japão e no Equador. E seus direitos pertencem a um time uruguaio (o pequeno Juventud). Está na hora de se fixar de vez num lugar? Sim, é o que eu espero. Meu contrato é de um ano e estou muito feliz aqui neste primeiro mês de Palmeiras. Mas o futebol é muito dinâmico, não dá para prever o que vai acontecer.Como foi este primeiro mês em São Paulo? Não sei, minha rotina é só treino e hotel (risos). Bom, até agora tem sido difícil por estar sozinho, sem minha família. Mas quando eu conseguir um apartamento, vou trazer minha esposa (Cristiane) e meu filho (Tiago, de dois anos).Eles conseguem assistir aos jogos do Palmeiras no Paraguai? Sim, passa na TV. Eles me viram contra o Ituano. Como ficou o astral do grupo depois da derrota? O pessoal ficou chateado, claro. Mas o ambiente é bom, o pessoal é muito unido. O time é bom, mas tem coisas no futebol que não dá para entender. Teve jogo que a gente foi bem e perdeu. Teve jogo que a gente foi mal e ganhou. Quem são seus principais amigos no elenco? O Caio e o Osmar.E o Edmundo? Como ele é com você? Muito boa gente. Além de ser um grande jogador. Espero que a gente possa se dar bem em campo.A imprensa equatoriana te chamava de Rebelde. Isso foi muito comentado aqui em São Paulo, antes da sua chegada. Pois é, tem jornalista que fala umas mentiras. O tempo vai mostrar que eu não sou nada disso.O que tem feito nas horas vagas? Eu tenho um pouco de receio de sair, porque São Paulo é muito grande. Então fico em casa, vendo filme de terror. É verdade que sempre gostou de novelas brasileiras? (risos) Pois é, sempre assisti. Parei um pouco para não ficar louco (risos).E a música brasileira? Sempre gostei de samba, sempre. Já comprei um monte de CDs aqui. E essas tatuagens, o que representam? Tenho seis: meu signo, de capricórnio (braço direito), o rosto do meu filho Tiago (no peito), um coração (braço esquerdo), as iniciais minha, da minha esposa e do meu filho (?D. C. T.?, na panturrilha direita), um outro desenho aqui (no tórax) e um anjo (nas costas) representando meu irmão Adriano, que faleceu há dois anos.Você pensa muito no seu irmão falecido? Antes de todos os jogos eu penso nele e faço uma oração. Ele morreu com quatro dias de vida, de complicações respiratórias. Tenho certeza que foi por negligência dos médicos. Isso me marcou muito.Você é religioso? Bastante. Sou católico e rezo sempre.

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