Nem cadeia vai parar a Mancha

A liderança da Mancha Alviverde, maior torcida organizada do Palmeiras, montou uma operação para pressionar forte a diretoria do clube ? leia-se o presidente Mustafá Contursi, além de grande parte do elenco de jogadores. Os torcedores garantem que não agirão de forma violenta, mas estão dispostos, para extravasar sua revolta, a cometer até ?pequenos delitos?, mesmo que isso implique em alguns dias atrás das grades. Na madrugada desta sexta-feira, quatro membros da torcida foram detidos pichando os muros ao redor do Parque Antártica. Membros da própria organizada fotografaram a pichação com máquina digital e enviaram o disquete com os registros para a Agência Estado. ?Serão revoltas pacíficas. Desde pichações até delitos leves, que dão três meses de cadeia. Não faremos nada para prejudicar a sociedade. Isso tudo para demonstrar o nosso amor pelo Palmeiras?, explica Paulo Serdan, ex-presidente e líder da organizada. Em manifesto divulgado nesta sexta-feira à imprensa, a Mancha compara a diretoria do Palmeiras ao exército iraquiano ? Mustafá seria Saddam Hussein. Alguns jogadores, chamados de ?aborígenes? no documento, não foram poupados, como o lateral-direito Neném e os zagueiros Leonardo e Índio. ?Só Magrão, Marcos, Pedrinho, Muñoz e os garotos que subiram dos juniores têm conseguido mostrar alguma coisa. A gente também ainda acredita no Marquinhos?, diz Serdan. ?Pensei que já tivéssemos nos livrado do Neném há muito tempo. E o Alessandro veio para o Palmeiras depois de ser escorraçado do Flamengo, sendo que temos o Pedro, que foi pouco utilizado.? O estopim da revolta foi Edmundo. A Mancha explica que participou da negociação para trazer o atacante e foi responsável pelo jogador aceitar salários de R$ 150 mil, divididos entre Palmeiras (R$ 120 mil) e a empresa de material esportivo Screte (R$ 30 mil). ?O Edmundo facilitou o quanto pôde para fechar contrato com o Palmeiras. A diretoria não o trouxe porque não quis?, reclama Serdan. Para mudar a cara do time, a organizada montou uma lista de reforços, que tem o meia Riquelme (Barcelona), Djalminha (Austria Viena), Adriano (Inter), França (Bayer) e Roque Júnior (Milan). ?Não acho esses nomes exagerados. Tudo é possível desde que haja boa vontade da diretoria.? O promotor Fernando Capez, um dos que mais lutaram contra a violência das torcidas organizadas, disse que não há nenhum problema com os manifestos, desde que não haja violência. ?A Mancha está consciente das conseqüências que pode sofrer. O Ministério Público aceita protestos e brincadeiras. Mas se houver atos de violência a nossa reação será contundente. É bom não brincarem. Eles sabem das conseqüências. O presidente e o vice da Mancha estiveram no gabinete e sabem bem o que pode acontecer.?

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