Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Nem com bola de cristal

O futebol varia como Política e Economia; difícil fazer prognósticos de longo prazo

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2018 | 04h00

Escrever sobre Esportes é casca de banana; a gente escorrega fácil, fácil. Bom, para não me fazer de vítima, admito que não é muito diferente do que falar sobre Economia e Política, por exemplo. Tanto num caso como nos outros, os ventos mudam de direção quando menos se espera. O que funciona hoje, já não serve amanhã. O que era um fiasco ontem, se transforma num sucesso do momento, para em seguida despencar de novo.

Um exemplo no mundo da bola? Aliás, dois? Ambos vêm do Rio – vamos lá. Até a parada para o Mundial, o jovem Maurício Barbieri ganhava jogos e moral no comando do Flamengo. O time estava na liderança do Brasileiro e avançou na Libertadores e na Copa do Brasil. Navegava em águas claras e calmas; eram só elogios ao trabalho de um representante da última geração de treinadores nacionais. 

Terminada a pausa, eis que a turma rubro-negra entra em turbulência. Houve o empate com o Grêmio pela Copa do Brasil – no sufoco, em Porto Alegre, mas de forma heroica e merecida. Até aí, ok. Dias depois, ainda no Sul e contra o mesmo rival, derrota que horas mais tarde custou o primeiro lugar na Série A, tomado pelo São Paulo ao bater o Vasco. Preocupou.

Para complicar, o Fla perdeu por 2 a 0 para o Cruzeiro, em casa, e ficou por um fio na Libertadores. Mais do que o tropeço, fato normal diante da força do adversário, pior foi o desempenho pouco consistente. A sucessão de sustos mudou o astral na Gávea e, claro, Barbieri já não está com a bola cheia.

Há risco de duas eliminações importantes; se isso ocorrer, será enorme a pressão pelo título brasileiro. E ficará a dúvida: resistirá Barbieri? A instabilidade se mostra tão intensa que daqui a duas semanas poderemos abordar o tema com elogios à capacidade de reação do elenco e de seu bravo timoneiro.

Jorginho não tem rotina sossegada no Vasco. Após passagem relâmpago pelo Ceará, em que mal desfez a mala no hotel, retornou para São Januário com a missão de arrumar a equipe, classificá-la na Sul-Americana e recuperá-la na competição de elite. Até agora tem sido um sobe e desce tremendo, com resultados insuficientes no campeonato e a queda no torneio continental. E tome vaias para Jorginho. Dava para prever rejeição ao técnico do acesso na temporada de 2016? Pois é...

Uma interrogação paulista? Pra já. Osmar Loss pegou rabo de foguete, com a saída de Fábio Carille, e as atuações não convenceram. Aproveitou a folga do Mundial para mexer no time e a melhora apareceu. Mas nem tanto. Veio a vitória apertada sobre a Chapecoense na Copa do Brasil e derrota para o Colo-Colo pela Libertadores. No Brasileiro flana por zona intermediária. Está no lusco-fusco, tanto pode consagrar-se, se avançar em duas frentes, como pode virar alvo de críticas bravas, se não superar os mata-matas nem deslanchar no campeonato. Impossível cravar o que acontecerá. E tem Chape em dose dupla, neste domingo pelo Brasileiro e na quarta pela Copa. 

A gangorra afeta também Renato Gaúcho e Mano Menezes. O primeiro tem crédito de sobra, porém pairam duas nuvens, na Copa do Brasil (o tal empate com o Fla) e na Libertadores (perdeu para o Estudiantes). No Brasileiro ainda não engrenou. Mano vinha sendo criticado, por causa do nacional; o Cruzeiro ganhou do Santos (Copa) e do Fla (Libertadores) e o professor retomou. Até a próxima oscilação?

Diego Aguirre tem o São Paulo sob controle, se bem que foi surpreendido no Morumbi pela Sul-Americana. Se o time cair, só lhe restará o Brasileiro. Felipão vestiu novamente o agasalho do Palmeiras, sob alguma desconfiança. A vitória no Paraguai acalma cornetas, que podem soar se não ganhar do Vasco. Previsões no futebol nem com bola de cristal. Feliz Dia dos Pais.

 

 

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