Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Nem Messi consegue fazer com que a Argentina acabe com o seu maior jejum de títulos

Última conquista da seleção foi a Copa América de 1993, no Equador

Almir Leite e Ciro Campos, enviados especiais a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 13h44

A seleção argentina está há 26 anos sem conquistar um título. O último foi a Copa América de 1993, com vitória por 2 a 1 sobre o México. Depois daquele triunfo no Equador, gerações de jogadores talentosos chegaram perto da glória, mas sempre fracassaram.

A Argentina vive o seu maior jejum de títulos da história. Nunca o país ficou tanto tempo sem conquistas. Entre as seleções campeãs do mundo, seu período sem taças só é menor do que o da Inglaterra, que não vence uma competição desde a Copa de 1966.

Com o trabalho questionado pela imprensa e também por dirigentes, o técnico Lionel Scaloni ganhou um defensor de peso em sua luta para permanecer no comando da seleção argentina: Messi disse que o trabalho do treinador está no rumo certo e que, se tiver continuidade, vai render frutos.

"Estamos com ele até a morte. Os jogadores estão todos remando para o mesmo lado", disse Messi, após a derrota para o Brasil, na noite de terça-feira, no Mineirão, que frustrou mais uma vez o sonho argentino de conquistar um título. "Digam o que quiserem, mas o fato é que a Argentina há muito tempo não jogava da maneira ofensiva que está mostrando agora."

Messi reconheceu que há muita coisa a fazer para melhorar o rendimento da Argentina e tornar a equipe realmente competitiva. Mas vê na disposição de seus companheiros um ótimo caminho para o objetivo. "Quando se tem um grupo assim, fica muito mais fácil."

O jogador do Barcelona deu como exemplo o bom número de chances que a Argentina criou contra o Brasil, uma seleção, na sua análise, muito bem estruturada taticamente, entrosada e com grandes jogadores. "E não vi o Brasil superior a nós em nenhum momento", afirmou Messi, que reclamou bastante da arbitragem em todas as suas entrevistas.

Retrospecto ruim

Messi fez na terça-feira, no Mineirão, o seu décimo jogo contra o Brasil. E o retrospecto é favorável aos brasileiros. O argentino sofreu seis derrotas, ganhou três partidas e empatou uma, com quatro gols marcados.

O argentino, inclusive, acumula vários dissabores contra o Brasil. Na final da Copa América de 2007, na Venezuela, por exemplo, a seleção brasileira bateu a Argentina por 3 a 0. Dois anos depois, em 2009, em partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, o Brasil venceu novamente, agora em Rosário, cidade onde Messi nasceu, por 3 a 1. Outro capítulo negativo para Messi foi o Superclássico das Américas de 2014, disputado na China. O argentino errou um pênalti e viu o Brasil vencer por 2 a 0.

Nesta Copa América, Messi mostrou uma postura diferente ao longo do torneio. Ele reclamou dos gramados e do VAR, elogiou os jovens companheiros e pediu mais tempo para o técnico Scaloni. Dentro de campo, também falou mais e foi visto dando mais carrinhos. Jornalistas argentinos opinam que o craque já está pensando em seu legado. A sua despedida deverá ser na Copa do Catar, quando estará com 35 anos. 

Próximos desafios

O curioso é que, enquanto a seleção principal acumula seguidas eliminações e parece estar sem rumo, o time juvenil teve resultados expressivos no cenário internacional com vários títulos sub-20, sendo cinco mundiais e três sul-americanos. E a equipe olímpica faturou a medalha de ouro em Atenas-2004 e Pequim-2008.

O próximo desafio oficial da Argentina será nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, que começam em março do próximo ano. Messi crê que até lá, se tiver tranquilidade e liberdade para fazer seu trabalho de renovação e implantar sua filosofia, Scaloni formará uma equipe competitiva. Em 2020, o craque também terá a chance de acabar com o jejum de título da sua seleção, quando os argentinos vão sediar a Copa América ao lado da Colômbia.

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