Nenê quer dar uma casa para os pais

Mais do que ajudar a garantir ao Palmeiras uma vaga na Libertadores da América do ano que vem, o atacante Nenê encara esta Copa dos Campeões como um divisor de águas na sua vida. O título representaria um passo muito grande para concretizar o seu maior sonho no momento: comprar uma casa própria para os pais. Por enquanto, o jogador ainda desembolsa R$ 400 para pagar mensalmente o aluguel da casa em que morou até semanas atrás no bairro Boavista, em Jundiaí. "Quero dar um presente aos meus pais porque se não fossem eles eu não estaria no Palmeiras.Prometi esse presente, e disse que poderiam ficar tranqüilos ", revela. Embora não tenha passado fome, Nenê jamais conviveu com o luxo. Seu pai não alterou a rotina e segue acordando as 4 horas da manhã para trabalhar como padeiro. A mãe foi obrigada a abrir mão das atividades profissionais para cuidar de Gabriele, irmã caçula do atacante que nasceu no ano passado. No entanto, o dinheiro que Nenê manda para Jundiaí ainda não foi suficiente para alterar o rumo da família. "Quem sabe no final do ano eu consiga comprar uma casa. Dependendo de como as coisas andarem, a diretoria do Palmeiras até poderia me dar uma ajuda. Hoje meus pais moram em um local tranqüilo, mas muito afastado do centro da cidade. Quero que eles tenham espaço para viver". Mesmo sendo privado de muitas coisas, Nenê jamais foi obrigado a trabalhar para ajudar a completar o orçamento mensal. Por insistência da família, sempre se dedicou ao futebol. Desde os primeiros chutes, quando ainda jogava futsal no Floresta de Jundiaí, conscientizou-se de que poderia ganhar com a bola o que jamais conquistaria longe dela. "Para mim vale demais aquele ditado que diz que devemos matar um leão por dia. É complicado ouvir meu pai dizer que não agüenta acordar cedo para ir à padaria, que não deseja mais trabalhar todos os sábados e domingos. Quem sabe eu não possa abrir um negócio para ele nos próximos meses?" A sorte de Nenê começou a mudar quando foi descoberto pelo empresário Nenê Cardoso em uma partida amadora do Clube Jundiaiense, três anos atrás. O atacante recebeu um convite para participar de uma pequena excursão por gramados de Itália e Suíça defendendo uma equipe da cidade de Ribeirão Preto, e quando retornou ao Brasil foi conduzido para o juvenil do Etti Jundiaí. "Poderia ter tentado a sorte na Europa, mas ainda era muito jovem. Talvez faltasse estrutura emocional para segurar a barra". Desde o início do ano, o treinador Vanderlei Luxemburgo comentava com os amigos mais próximos sobre o desejo de trazê-lo para o Parque Antártica. A oportunidade surgiu em maio, e o jogador assinou contrato até o encerramento do Campeonato Brasileiro, no final do ano. Com apenas 20 anos, Nenê é noivo de Priscila, a quem dedica praticamente todos os gols que marca. Quando a situação melhorar financeiramente, pretende deixar o apartamento em que mora no bairro do Sumaré, pago pelo Palmeiras, para se casar. "Quero ser reconhecido apenas pelo trabalho que realizo dentro de campo", completa, garantindo que o assédio da torcida e da imprensa não mudou sua maneira de enxergar o mundo. "Cairei no esquecimento se não mostrar mais a cada dia".

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