Rubens Chiri / São Paulo
Rubens Chiri / São Paulo

Nenê repete no São Paulo sua dificuldade em lidar com a reserva

Meia também teve problemas no Paris Saint-Germain e no Vasco quando foi sacado do time titular

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2018 | 05h00

Quando o São Paulo tirou Nenê do Vasco no início deste ano, já sabia que junto com a qualidade técnica do meia viria junto no pacote o jeito "marrento" de alguém que tem enorme dificuldade em não ser protagonista. O que, na prática, significa reclamar por ficar no banco. Por isso, a diretoria acabou não dando muita atenção ao episódio ocorrido no último domingo, quando o camisa 10 deixou o Morumbi logo após o empate em 2 a 2 com o Flamengo bem antes dos demais companheiros.

Fora da equipe titular nas últimas três partidas, Nenê já havia dado demonstrações no próprio São Paulo de que não lida bem com a reserva. No primeiro turno, durante a vitória sobre o Cruzeiro no Mineirão por 2 a 0, o jogador não gostou de ser substituído, fechou a cara ao notar que seria o escolhido a sair de campo e continuou de cara amarrada, reclamando enquanto se sentava no banco de reservas. Na ocasião, Aguirre afirmou que tomava as decisões que julgava serem as melhores para o time.

No Vasco, o problema foi com o técnico Milton Mendes, que o barrou da equipe após, segundo o treinador, o meia ter manifestado o desejo de ser negociado pelo clube, em julho do ano passado. Nenê chegou a treinar separado do time e só foi reintegrado em agosto, mas a relação entre ele e Mendes já estava muito deteriorada. Por outro lado, a reportagem ouviu de uma fonte que trabalha no clube carioca que este foi o único problema extracampo do jogador durante o período em que ficou em São Januário.

Fato é que mesmo quando tinha a sombra de nomes como Ibrahimovic, o jogador não aceitava ser deixado de lado. No início de 2013, Leonardo, então diretor esportivo do Paris Saint-Germain, clube pelo qual Nenê jogava, reclamou publicamente da postura do atleta: "Ele não estava acostumado a ficar no banco. Deveria ter se adaptado a nova situação e não o fez", disse o dirigente, na ocasião, ao jornal francês L'Équipe.

Jogador do elenco são-paulino que mais atuou na temporada, com 49 partidas, o camisa 10 sempre foi considerado um "fominha do bem" pela diretoria, ao menos enquanto as coisas davam certo e o time liderava o Campeonato Brasileiro. Resta saber como será daqui em diante, com a equipe na quarta colocação na tabela e sob pressão para manter a posição dentro do G-4. O próximo compromisso será no sábado, contra o Corinthians, em Itaquera.

 

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