Flamengo/ Divulgação
Flamengo/ Divulgação

'Nenhum protocolo será 100% eficaz no futebol', afirma infectologista

Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirma ainda que clubes deveriam se atentar a taxa de disseminação da covid-19 nos estados

Raul Vitor, especial para o Estado

23 de setembro de 2020 | 15h00

Os casos de covid-19 entre jogadores do futebol brasileiro seguem sendo registrados após cerca de dois meses da volta oficial do futebol no país. O caso mais recente de infecções foi registrado no Flamengo, que apresentou sete atletas de seu elenco contaminados pelo coronavírus. Segundo Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), nenhum protocolo sanitário no futebol terá 100% de eficácia.

"Mesmo em isolamento, não é possível ter controle total da contaminação. Os jogadores voltam para suas casas, estão em contato com seus familiares e outras pessoas, assim como os funcionários dos clubes. Nenhum protocolo será 100% eficaz e conseguirá controlar a doença com total eficácia", alertou o infectologista.

Os casos no Flamengo foram divulgados na noite do último domingo. A equipe estava concentrada na cidade de Guayaquil, no Equador, para a disputa do jogo contra o Barcelona, ocorrido nesta terça-feira, no Estádio Monumental

Além do Flamengo, outros clubes do Rio de Janeiro tiveram casos recentes de atletas contaminados. Foi o caso do Vasco, onde o técnico Ramon Menezes testou positivo, e do Fluminense, onde o atacante Fred também contraiu a doença. Otsuka explica que isso pode estar relacionado a taxa de contaminação do Rio de Janeiro.

"As regiões que possuem uma maior transmissão da doença acabam tendo maior risco deste tipo de situação. Quando falamos de infecção por região, não podemos analisar a partir no número absoluto de casos, mas pelo total de habitantes. No Rio, está concentrada a maior taxa de mortalidade. Por que? Porque não estão fazendo a maioria dos diagnósticos. Esperamos encontrar uma mortalidade real que varia entre 0,5% e 1%. O Rio apresenta 7%. Isso também pode indicar uma taxa de disseminação considerável", avalia o especialista.

O Estadão procurou o Flamengo para saber se o clube possuia alguma objeção em relação aos protocolos que tem seguido nas competições em que disputa, mas não obteve respostas. A equipe rubro-negra compete o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores, portanto, segue dois protocolos sanitários diferentes, um elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e outro pela Conmebol

Esses protocolos, apesar de terem o mesmo objetivo, que é o de evitar a contaminação e disseminação da covid-19, não são padronizados. Segundo o infectologista, isso poderia causar certa confusão aos clubes que disputam competições organizadas por entidades diferentes. No entanto, Otsuka enfatiza que o que deve ser levado em conta são os "cuidados pessoais dos jogadores" e da "taxa de infecção local".

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