Carla Carniel / Reuters
Carla Carniel / Reuters

Neto de croata e fã de futebol ofensivo, Vojvoda largou medicina pelo sonho de virar treinador

Argentino, que vive status de celebridade na capital cearense, mora no CT gosta de contar piadas e vai ter um professor de português particular

Toni Assis, especial para O Estadão

10 de agosto de 2021 | 20h00

Ele trocou uma rotina de hospitais e consultas a pacientes pelo sonho de ser treinador de futebol. E quem ganhou com essa opção foi o torcedor do Fortaleza. Juan Pablo Vojvoda, 46 anos, estava quase completando o curso de medicina quando apareceu a proposta de trabalhar à beira do campo. Faltando um mês para pegar o diploma, o ex-zagueiro argentino não titubeou: preferiu a instabilidade da vida de técnico à carreira de médico.

“O convite para comandar um time de futebol surgiu quando ele estava para se formar. Era o sonho de uma vida. Depois fez bons trabalhos no Talleres, no Defensa Y Justicia e no Union La Calera”, afirmou Marcelo Paz, presidente do Fortaleza e um dos responsáveis pela contratação do treinador.

Há pouco mais de quatro meses no comando da equipe, o argentino colocou o futebol local em evidência neste Brasileiro. O Fortaleza é o terceiro colocado na classificação, a dois pontos do vice-líder Palmeiras.

 O reconhecimento do seu trabalho foi imediato. Assim, de ilustre desconhecido, rapidamente o treinador ganhou status de celebridade.

“A torcida está encantada. O Vojvoda tira fotos com os torcedores quando vai às ruas e é uma pessoa interessada em aprender a cultura daqui. Não conheceu tanto a cidade porque os jogos não permitem, mas já foi à praia, frequentou restaurantes e gosta da culinária local”, disse Marcelo Paz.

De acordo com o dirigente, nesse curto período de convívio, o jeitinho brasileiro já começa a dar seus primeiros sinais no comportamento do técnico.

 “Pensa num cara gente boa. Não só ele, mas o seu estafe também. Têm um diálogo muito bom e está ficando um pouquinho cearense. Está aprendendo até a contar piada.”

E a integração tem sido total. Nesses quatro meses de relação, o Fortaleza segue trabalhando para ampliar a sintonia com o atual treinador.

“A gente vai disponibilizar um professor de português para acelerar esse processo. A comunicação não foi problema em nenhum momento. Mas naturalmente, algumas palavras ele não conhece do português. E tem algumas coisas que ele fala, que o jogador pode não compreender”, comentou o dirigente.

 A escolha pelo nome de Vojvoda foi resultado de uma filosofia de trabalho, segundo o próprio dirigente. O clube estava atrás de um profissional que tivesse características específicas.

Dentre os requisitos pretendidos pela diretoria estavam o de um treinador agressivo, que gostasse da bola, atacasse os adversários e tivesse o protagonismo do jogo. Um perfil que se identificasse com o torcedor do Fortaleza. E o técnico argentino se enquadrou em todas as exigências.

Sem a interferência de empresários ou qualquer tipo de intermediários, as duas partes iniciaram um processo de estudo até chegar a um entendimento final. O nome surgiu dentro do próprio departamento de futebol. A partir daí, foi feito o primeiro contato.

“Desde o início, ele foi bem receptivo. Não conhecia tanto o Fortaleza, mas tinha muita vontade trabalhar no Brasil. Fomos trocando informações por mais de uma semana. Mandávamos materiais de jogos completos, material individual dos jogadores. O nosso departamento de análises também participou desse processo.”

CARRASCO DE PAULISTAS

 Neto de croatas, esse argentino tem em seu currículo alguns importantes trabalhos e já impôs duas eliminações em times da elite do futebol brasileiro. Em fevereiro de 2019, à frente do Talleres, da Argentina, Vojvoda superou o São Paulo de André Jardine na fase pré-Libertadores.

A história se repetiu no ano passado quando ele dirigiu o Union La Calera, do Chile. A vítima foi o Fluminense, que no confronto de dois jogos eliminatórios pela Copa Sul-Americana, acabou fora da disputa.

Mas nesse Brasileiro, Vojvoda vem se notabilizando por nocautear os times paulistas. O Fortaleza superou o Corinthians por 1 a 0 e venceu o São Paulo e o Bragantino pelo mesmo placar. A vítima mais recente foi o Palmeiras: derrota de 3 a 2, em pleno Allianz Parque.  “Mostramos inteligência, intensidade, superação. Jogamos com paixão, com o coração”, disse o treinador após a partida.

E pela Copa do Brasil, ele terá novamente um rival paulista pela frente, já que São Paulo e Fortaleza se enfrentam nas quartas de final da competição. 

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