Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Ney Franco não é mais técnico do São Paulo

Treinador não resiste à derrota para o Corinthians e cai exatamente um ano após assumir o cargo

CIRO CAMPOS, O Estado de S. Paulo

05 de julho de 2013 | 16h07

SÃO PAULO - Um ano. Exatamente 365 dias. Foi esse o tempo que durou a passagem de Ney Franco pelo São Paulo. Pressionado não só pela derrota da quarta-feira para o Corinthians, em pleno Morumbi, mas também pela péssima atuação da equipe diante do maior rival, o treinador foi demitido nesta sexta-feira. O anúncio veio em entrevista coletiva no CT da Barra Funda.

"Agora a tarde eu e Ney Franco nos reunimos, como fazemos cotidianamente, e acaba tendo que avaliar os últimos resultados e as consequências disso. Nas analises que nós fizemos, chegamos ao acordo que, infelizmente, vamos encerrar nosso vínculo a partir de hoje", disse o diretor de futebol Adalberto Batista. Milton Cruz mais uma vez assume a equipe interinamente e ficará no banco diante do Santos, domingo, também no Morumbi.

O treinador chegou ao São Paulo exatamente em 5 de julho do ano passado. Com passagens por Ipatinga (onde se destacou levando o time até as semifinais da Copa do Brasil), Flamengo, Atlético-PR, Botafogo e Coritiba, seu último trabalho havia sido no comando das categorias de base da seleção brasileira.

Ney treinou a seleção sub-20, de Neymar, Lucas e Oscar, nos títulos sul-americano e mundial, em 2011, e ganhou fama de ser bom em trabalhar com jovens. Como o São Paulo pretendia dar mais espaço aos garotos depois da demissão de Emerson Leão, convenceu o treinador a largar o cargo que tinha na CBF para assumir a equipe do Morumbi.

Apesar do início ruim de trabalho, foi mantido no cargo para a sequência do Brasileirão. Com uma escalação que o torcedor conhecia na ponta da língua e recuperando jogadores como Paulo Miranda e Osvaldo, o São Paulo foi campeão incontestável da Copa Sul-Americana e conseguiu a vaga na Libertadores deste ano também terminando entre os primeiros do Brasileirão.

Para 2013, Ney Franco perdeu Lucas, mas ganhou um Paulo Henrique Ganso em melhor forma, Aloísio e Lúcio. A equipe, porém, caiu drasticamente de qualidade. Até terminou a primeira fase do Paulistão como líder, mas sem convencer. A eliminação veio na semifinal, diante do Corinthians, em pleno Morumbi.

Na Libertadores, o São Paulo só avançou às oitavas de final na bacia das almas, graças a uma vitória em cima do Atlético-MG na ultima rodada da fase de grupos, talvez na melhor partida da equipe no ano. Mas, contra o mesmo rival, caiu na primeira fase do mata-mata de forma inapelável.

A direção fez uma limpa no elenco, afastou nomes como Cortez, Wallyson e Fabrício, mas os problemas continuaram, principalmente dentro de campo. Apesar dos treinos em Cotia, em regime de concentração, durante a intertemporada, a equipe voltou jogando muito mal contra o Corinthians, pela Recopa. Para mostrar como o treinador e o elenco já não falavam a mesma língua, em entrevista coletiva pós-jogo ele disse que o problema era "técnico, e não tático", se eximindo de toda culpa.

Ney Franco deixa o São Paulo após 79 jogos, 41 vitórias, 16 empates, 22 derrotas. Além dele, também foi demitido Eder Bastos, seu auxiliar. O treinador é o sexto demitido pela diretoria desde a saída de Muricy Ramalho, em 2009. Os outros foram Ricardo Gomes, Sergio Baresi, Paulo Cesar Carpegiani, Adilson Batista e Emerson Leão.

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