Stephane Mahe/ Reuters
Stephane Mahe/ Reuters

Neymar ainda não se livrou do seu inferno astral

Atacante do PSG e do Brasil volta a machucar o dedinho do pé direito, o mesmo que o deixou parado antes da Copa, e terá de enfrentar novo calvário na carreira

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2019 | 15h23

Prezados,

Gostaria de dividir com os amigos algumas preocupações minha e do torcedor sobre a nova lesão de Neymar. Ele machucou o quinto metatarso do pé direito, aquele mesmo dedinho que o deixou de molho antes da Copa da Rússia. Isso deve ter deixado o jogador bastante assustado, assim como as pessoas que o acompanham no futebol. Foi este mesmo dedinho que tirou o atacante do PSG e da seleção brasileira de ação em fevereiro do ano passado, como informou o Estadão nesta reportagem relacionada aqui, comprometendo sua participação na Liga dos Campeões da Europa e também no Mundial de 2018. O fato é que Neymar não consegue se livrar do seu inferno astral, ter uma temporada limpa e focada exclusivamente no futebol.

A nova lesão foi resultado de uma sequência de pancadas dos marcadores em seu tornozelo no jogo contra o Strasbourg pela Copa da França. Neymar sofreu seguidas faltas na partida em que se machucou, o que o fez até brincar horas depois de deixar o gramado. Ele postou nas redes sociais sua agonia após o ocorrido, com uma frase emblemática: “1% de chance, 99% de fé”. Certamente estava se referindo à possibilidade de aquilo não ser nada, de ele não precisar passar novamente por uma cirurgia e, consequentemente, amargar todo o calvário da recuperação. O atacante era a frustração em pessoa.

Juntamente ao problema de deixar o PSG e a seleção brasileira não mão mais uma vez – ele não será convocado para os amistosos do Brasil em março, um deles em Praga, contra a República Checa, e também não atuará diante do Manchester United na Liga dos Campeões pelas oitavas de final ­–, Neymar sabe que os torcedores brasileiros, os que gostam e também os que não gostam do seu comportamento, esperavam por uma reação dele sobretudo na Copa América que será disputada no Brasil em junho/julho. O Brasil achou que ele ficou devendo na Rússia. Tite negou que tivesse dado privilégios ao seu principal jogador, como informou o Estadão nesta reportagem (leia), mas as notícias vindas da Rússia davam conta de que o atleta tinha a família e os amigos por perto o tempo todo, inclusive dois cabeleireiros de plantão. Sua imagem foi arranhada por isso também. Tanto foi que seu estafe tratou de colocar em prática um plano emergencial para recuperar seu prestígio (veja a matéria).

Ocorre que Neymar não consegue ser na Europa o jogador que se propôs ser quando trocou o Santos pelo Barcelona e o Barcelona pelo PSG. O ano de 2018 foi foi bom para ele, como atestou retrospectiva feita pelo Estadão no fim da temporada.

Parte desse fracasso, no entanto, não se deve exclusivamente a Neymar. O goleiro Buffon, da seleção italiana e do PSG, disse não entender por que Neymar ainda não ganhou nenhuma Bola de Ouro, prêmio até então entregue regularmente ora para Messi, ora para Cristiano Ronaldo. Neymar não fracassou na Europa, está longe disso, mas também não consegue repetir o feito de outros brasileiros eleitos o melhor do mundo, como Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Kaká, por exemplo. E olha que o atacante crescido em Santos já está no Velho Continente desde 2013. Antes vivia à sombra de Messi, de quem é amigo. E agora parece ter de dividir os holofotes com Mbappé, o craque campeão do mundo com a França e que atualmente foi eleito por um site especializado o jogador mais valioso do mundo. Tem apenas 20 anos.

À nova contusão de Neymar, que ainda terá desfechos ao longo das semanas, junta-se ainda os problemas extracampo que o jogador enfrenta desde que deixou a Vila Belmiro. Um deles diz respeito às cobranças do Fisco, como os R$ 69 milhões que ele teria de pagar para a Receita por impostas não assumidos de seus contratos profissionais e de sua empresa, tocada por seu pai. Outro assunto delicado e que o persegue é sobre possíveis transferências para Barcelona e Real Madrid. Desde que chegou ao PSG, em Paris, esses assuntos são recorrentes em seu dia a dia, de modo a gerar especulações sobre possíveis mudanças de ares do atacante. Como escrevi numa coluna aqui no Estadão, Neymar precisaria aparecer em público, uma vez que fosse, para dizer a todos, alto e em bom som, que vai cumprir seu contrato com o Paris Saint-Germain até 2022. Mas ele nunca fez isso.   

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