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Neymar assina contrato de R$ 52 milhões por temporada

Brasileiro se consolida como dono do segundo maior salário, atrás apenas de Messi

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2016 | 07h00

No dia 1.º de agosto de 2004, quando tinha 12 anos, Neymar assinou seu primeiro contrato com o Santos. O “Contrato de Adesão para Prestação de Serviços de Formação e Preparação Técnica Desportiva de atleta não profissional de futebol” previa uma ajuda de custo de 850 reais mensais. Hoje, 12 anos depois, Neymar assina a renovação de seu contrato com o Barcelona para ganhar cerca de 15 milhões de euros (51,7 milhões de reais) por temporada. Nesse período de pouco mais de uma década, o salário do jogador subiu 509.900%.

Neymar passará a ganhar quase o dobro do que recebia antes (8,7 milhões de euros ou 30,8 milhões de reais por temporada). Além do salário fixo, o brasileiro tem uma remuneração variável por metas alcançadas. Se ele for o melhor jogador do mundo, dono da Bola de Ouro, por exemplo, o gatilho salarial dispara. A cada fase ultrapassada na Liga dos Campeões, mais bônus em sua remuneração.

O mesmo acontece com as conquistas do Campeonato Espanhol, inclusive número de gols marcados. Com isso, o salário do brasileiro pode chegar a 25 milhões de euros (86 milhões de reais), ganho maior até que o de Lionel Messi – hoje, o argentino ganha 22 milhões de euros (76 milhões de reais).

O status de atleta mais bem pago do Barcelona, no entanto, tem prazo de validade. Nas próximas semanas, Messi deve assinar sua renovação com um ordenado de 40 milhões de euros (138 milhões de reais). Isso atende a uma cláusula no contrato do craque argentino, que garante a ele o maior salário do elenco.

A assinatura do novo vínculo de Neymar, que irá até 2021, vai ocorrer numa cerimônia carregada de simbolismo na sede do clube catalão. Diversos sinais, entre eles a valorização financeira, mostram que o craque brasileiro foi escolhido para ocupar no futuro o trono de Messi como astro do Barcelona.

Outro indício de que Neymar é o primeiro na linha sucessória é a preocupação do Barcelona com o assédio dos clubes europeus. Depois de ser alvo de propostas de Manchester United e Paris Saint-Germain, os catalães correram para aumentar sua multa rescisória. Hoje, ela é de 200 milhões de euros (690 milhões de reais) e vai subindo gradativamente. “O salário do Neymar apenas reflete o retorno que ele traz atualmente para o clube. Ele deixou de ser promessa, passou a ser uma estrela nacional e hoje é um ícone global”, afirma Pedro Daniel, gerente de Esportes da consultoria BDO.

Retorno significa exposição e notoriedade na mídia, novos patrocinadores e potencial para fazer dinheiro (leia-se vender produtos licenciados) a partir da exposição do jogador com a marca do Barcelona.

Meteoro. O salto da carreira de Neymar é extraordinário. Depois de assinar o primeiro contrato com salários mensais de menos de mil reais, seu primeiro ordenado como jogador profissional, quando ele já se destacava como nova joia santista, foi de 20 mil reais. Em 2011, ano da conquista da Libertadores, ele já ganhava 7 milhões de reais por ano, sem contar a participação em inúmeras campanhas publicitárias. Seu último salário no Santos, dividido entre o clube e os patrocinadores, girava em torno de 1,5 milhão de reais por mês, valor que já estava fora dos patamares do futebol nacional.

O acordo de renovação foi polêmico. O advogado de Neymar, Marcos Motta, utilizou as redes sociais para dizer que o contrato era o “maior em vigor da história do futebol”. O representante do Barcelona no Brasil, André Cury, criticou a declaração, afirmando que Motta não conhecia os outros contratos do próprio Barça. Em seguida, Motta trocou o termo “maior” por “melhor” em novas postagens.

A valorização na Espanha está alinhada ao que Neymar vem fazendo dentro de campo. Com a camisa do Barcelona, ele já fez 90 gols. Em três temporadas na Europa, para onde foi em 2013, o camisa 11 conquistou nove títulos, entre eles, a Liga dos Campeões (2014/15), Campeonato Espanhol (2014/15 e 2015/16) e Mundial de Clubes (2015).

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