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Antero Greco
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Neymar, de novo

O astro brasileiro recebeu críticas na derrota do PSG na Champions. Estaria no limite?

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2018 | 04h00

Fazia um tempinho que Neymar não ganhava destaque. Precisamente desde as quedas espetaculares na Copa da Rússia. Eis que o moço volta a suscitar comentários e reflexões. Desta vez por causa do desempenho só razoável na derrota do Paris Saint-Germain, na rodada inaugural da edição deste ano da Uefa Champions League. O campeão francês perdeu por 3 a 2 para o Liverpool, sem que o brasileiro tenha feito diferença. O patrício que brilhou foi Firmino, ao marcar o gol da vitória inglesa.

Restrições à atuação de Neymar vieram da imprensa dos dois lados do Canal da Mancha, e nem tão novas ou originais. Mas fazem pensar. Ora por considerarem equívoco o PSG construir uma equipe e um sistema em torno dele, ora por detectarem que, em momentos gigantes, não brilha como se espera para quem age como estrela.

Coloca-se a questão: Neymar estaria em momento crucial da carreira? Com 26 anos, já não é principiante, tanto que rodou por Santos e Barcelona, disputou duas Copas, Olimpíada, Copa América, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Champions. Se não é mais um menino, tampouco pode ser incluído na categoria de veterano. Tem ao menos uma década pela frente, se o espírito e o corpo colaborarem.

Não se coloca em xeque a qualidade técnica; seria ridículo considerá-lo enganação, fogo de palha, produto da mídia. Neymar joga muita bola, caso contrário não teria desde garoto tanta atenção e sequer seria cobiçado por clubes de peso. A dúvida, porém, faz sentido, e se prende à capacidade de decisão, à maturidade, à liderança, ao equilíbrio, qualidades que distinguem o ídolo do jogador bom ou mesmo ótimo. Para ele ainda não veio à tona a centelha do mágico, do mito, do incomparável.

Eis aspecto que começa a pesar sobre Neymar, mais do que as cambalhotas nas divididas com zagueiros. A responsabilidade e o desejo de se tornar protagonista talvez o atrapalhem. Desde 2010, com a chegada de Mano Menezes em substituição a Dunga, a seleção gira em torno dele. Por circunstâncias várias, nos dois maiores desafios não entregou o que se esperava, na Copa em casa em 2014 e a recente. Não se insinua aqui que tenha amarelado.

Fica a impressão também do afã de equiparar-se a Cristiano Ronaldo e Messi, os gênios de sua geração. Por mais que tente, não supera o português e o argentino, que na última década dividiram o prêmio de melhor do mundo. Neymar exagera na tentativa de mostrar-se hábil, diferente, ousado – e erra, sobretudo, ao exibir-se assim contra adversários frágeis e batidos. Cristiano é vaidoso; no entanto, construiu carreira sólida. Messi é o que demonstra menos preocupação em autoafirmar-se: sabe que é bom e ponto final. Não entra em campo sempre com a necessidade de provar o quanto consegue demolir defesas e acumular recordes. Discreto, em campo e fora.

O momento mais produtivo de Neymar foi aquele em que se portou como “coadjuvante”, ao lado de Messi e Suaréz, no Barça. Pelo visto, o papel secundário o incomodava; daí o voo solo, quando o PSG o procurou. Talvez transforme o time parisiense numa potência internacional, recursos não faltam. No entanto, é certo que jogar na França, país campeão do mundo, não ajuda muito. O campeonato de lá é fraco e há distância planetária com os rivais.

Há tempo para Neymar obter triunfos e troféus memoráveis; que se lhe dê esse crédito. (Rivaldo foi melhor do mundo aos 27 anos, Romário aos 28.) Hoje está em prateleira especial, mas em nível aquém de Cristiano, Ronaldinho Gaúcho, Messi. Para não citar Pelé, Garrincha, Zidane, Maradona, porque daí seria cometer sacrilégio. Talvez mais para Robinho, ídolo dele no início de carreira. Aliás, o que faz Robinho no desterro no Sivasspor, da Turquia?

 

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