Alexander Zemlianichenko/AP
Alexander Zemlianichenko/AP

Neymar deveria parar de palhaçada

Não deveria sentir necessidade de provocar os outros, tentando cavar pênaltis, ou de rolar cinco ou seis vezes no gramado

Lothar Matthäus, ex-jogador

30 Junho 2018 | 04h00

A fase de classificação passou. É hora de uma avaliação. Houve só uma surpresa, que no fim nem foi tão grande. É claro que, antes da Copa, não esperava ver a Alemanha cair já na primeira fase. Mas, depois de seus dois primeiros jogos, não houve mais surpresa, apenas tristeza. Assim como mereceu ganhar o título em 2014, mereceu ser eliminada. 

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Não havia um único jogador alemão em plena forma. A maioria estava com problemas - exaustão, idade, lesão, falta de confiança. Isso se aplica aos que supostamente deveriam liderar a equipe, como Boateng, Müller, Khedira e Özil. Neuer foi o único que fez jus às expectativas. Nada esteve em ordem na Alemanha - nem no ataque nem na defesa. Não houve espírito de equipe, apenas vulnerabilidade e desentendimento.

Löw confiou em jogadores experimentados, mas já antigos, e investiu pouco nos novos talentos que passamos a admirar na Copa das Confederações. A Alemanha padeceu de falta de frescor, de ritmo, de elemento surpresa. O fato de quatro dos cinco últimos campeões falharem na fase de grupos tem a ver com complacência e motivação insuficiente. Löw precisa enfrentar problemas difíceis e, sobretudo, renovar o time. Fez excelente trabalho no passado, mas agora está de novo sob forte pressão. Compreenderia perfeitamente se dissesse que vai deixar o cargo.

Olhando além do caso alemão, pode-se ver que após a fase de classificação os chamados pequenos se recuperaram. O Marrocos, por exemplo, foi melhor do que Irã, Portugal e Espanha em todos os jogos. Isso mostra que os outsiders melhoraram e agora têm jogadores e técnicos com experiência em grandes ligas.

 

Para os grandes, esta Copa é um alerta. Fica claro que o estilo de controle de bola dos espanhóis, mas também dos alemães, não leva mais automaticamente ao sucesso. Acredito ainda que, quanto mais a Copa avança, mais os grandes vão dominar. Continuo prevendo resultados apertados, mas a qualidade individual pesará. 

Fiquei impressionado com Inglaterra, Croácia e Bélgica, e de certo modo, Brasil, que tem atletas de qualidade. Isso se aplica especialmente a Neymar. É por isso que ele não deveria sentir necessidade de provocar os outros, tentando cavar pênaltis, ou de rolar cinco ou seis vezes no gramado após ter sofrido uma falta. Ele precisa parar com as palhaçadas, que podem prejudicá-lo pondo os fãs contra ele e deixando os juízes menos inclinados no futuro a apitar rapidamente quando ele parecer sofrer falta. 

Quanto à Argentina, mantenho minha opinião: o time só é forte se Messi tiver um excelente desempenho. Não acredito que a Argentina vá longe porque sua defesa tem problemas. Acho que a França será o fim da viagem da Argentina. De qualquer modo, os dois ex-campeões mundiais se encarando será o destaque da rodada. 

Uruguai enfrentando Portugal vai ser emocionante. Disse que o Uruguai chegaria às semifinais. Quanto a Portugal, tenho dúvidas. Até agora a equipe foi Cristiano Ronaldo. Isso se aplica a Brasil contra México, Espanha contra Rússia, Croácia contra Dinamarca e Suíça contra Suécia. A Colômbia tem um time forte, no nível do Uruguai. Valerá a pena ver seu jogo com a Inglaterra. O Japão é o outsider contra a Bélgica. Esperava que Senegal ou Nigéria chegassem entre os 16. 

Uma palavra final sobre outro problema: Maradona. Foi um grande meia, o melhor do mundo até fins dos anos 1980. Mas vê-lo na tribuna em seu estado atual foi, para mim, um dos dois casos mais tristes da Copa. O outro caso foi o fracasso da Alemanha. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*LOTHAR MATTHÄUS FOI CAMPEÃO MUNDIAL PELA ALEMANHA EM 1990

 

 

 

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