Neymar foi vendido por 25 milhões de euros, revela presidente do Santos

Odílio afirma que valor pode subir para 31,5 milhões de euros caso craque fique entre os três melhores do mundo e se o Santos desistir de amistoso

O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 17h47

SÃO PAULO - Em entrevista à TV Estadão, o presidente do Santos Odílio Rodrigues, revelou que a venda de Neymar rendeu até agora os cofres do clube  25 milhões de euros (aproximadamente R$ 75 milhões no câmbio atual). O valor, no entanto, pode chegar a 31,5 milhões de euros (R$ 94 milhões) caso o craque seja finalista do prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa e se o Santos desistir de disputar um segundo amistoso com o time catalão – no primeiro jogo, perdeu por 8 a 0. O dirigente disse também que Santos e Fifa questionaram o Barça depois de o clube espanhol ter anunciado que pagou 57 milhões por Neymar (cerca de R$ 170 milhões). Segundo Rodrigues, o Barcelona confirmou os valores divulgados pelo Santos. Para o dirigente, a diferença deve ter ido para comissões de empresários. Rodrigues também revelou que o Santos planeja jogar no Pacaembu depois que a Prefeitura privatizar o estádio e não garantiu o técnico Claudinei de Oliveira para 2014.

O Barcelona anunciou que comprou o Neymar por 57 milhões de euros e depois disse que o valor, na verdade era, 65 milhões (R$ 195 milhões) porque 8 milhões foram pagos para garantir a preferência na contratação de outros três jogadores. O Santos, no entanto, alega que recebeu 17 milhões (R$ 50 milhões). Afinal, por quando o Neymar foi vendido?

Fizemos quatro contratos com o Barcelona. Um de transferência do Neymar, no valor de 17,1 milhões de euros. Desse valor, 40 % foi transferido para a DIS e 5% para a Teisa. Depois teve um outro contrato de 2 milhões de euros (R$ 6 milhões) caso o Neymar, no período que estiver no Barcelona, seja indicado entre os três melhores jogadores do mundo da Fifa. Desse valor também é  40 %  para a DIS e 5% para a Teisa. Fizemos ainda um convênio com o Barcelona de troca de informações e tecnologia. Nós podemos mandar nossos técnicos da base para lá e vice-versa. Nesse contrato,  eles têm preferência, em condições de igualdade, sobre três jogadores e foi atribuído o valor de 7,9 milhões de euros ( R$ 23,6 milhões) , que o Santos também recebeu. E o Santos contratou também dois amistosos. O primeiro lá e o segundo será aqui. Não podendo realizar o segundo, o Santos receberá 4,5 milhões de euros (R$ 13,5 milhões).

 

Mas por que o Barcelona diz que gastou 51 milhões de euros (cerca de R$ 153 milhões)?

Isso criou uma confusão danada. O Comitê de Gestão do Santos, então, notificou o Barcelona exigindo explicação para quem ele pagou esses 57 milhões. Recebemos uma carta dizendo que o Santos recebeu 17,1 e mais 2 milhões se ele for indicado entre os melhores do mundo. A Fifa também questionou o Barcelona. Temos a cópia da resposta para a Fifa que diz a mesma coisa.  Se o Barcelona gastou 57 milhões e para quem foi o restante do dinheiro, o conselheiro do Barcelona é que tem de perguntar para o presidente do Barcelona. A gente até tem ideia que tenha ido  de comissão para gente que estava aqui trabalhando para eles.

O Santos vai construir um novo estádio?

Não dá para os grandes clubes ficarem sem arena. É uma receita importante. Depois da Copa do Mundo, o Santos será o único clube grande de São Paulo sem arena. O Santos têm 7 milhões de torcedores e precisa estar à frente do tempo. Pela origem do clube, o local ideal seria Santos, mas lá não tem terreno. Na Baixada Santista, participamos de dois estudos, com duas empresas diferentes, mas na hora que fechar o negócio não conseguimos. A arena precisa ter um shopping, escritórios e as taxas de retorno eram mais baixas do que o mercado esperava, então não conseguimos atrair o investidor.

O Pacaembu, então, surge como uma possibilidade?

Nossa maior torcida é em São Paulo e o Santos precisa estar próximo da sua torcida. Então surgiu a possibilidade do Pacaembu. A prefeitura vai lançar uma licitação, nós não conhecemos os termos, mas se perguntarem se o Santos quer o usar o Pacaembu e ter o estádio como segunda casa, a resposta é 'queremos sim, com muito prazer'. A Vila é nossa casa, nossa sede, mas podemos fazer uma reforma e deixar como um estádio-boutique, fazer um restaurante temático, ampliar o nosso memorial. A Vila passará a ser um estádio para eventos menores e a gente vai jogar no Pacaembu, perto de uma grande massa de torcedores. O Santos não iria investir um centavo nessa nova arena, a gente não tem essa condição, mas pode entrar com um investidor. A gente tem de pensar grande, ter um estádio maior. O Pacaembu é muito bem localizado e o santista gosta.

Qual é a avaliação do trabalho do Claudinei Oliveira? Ele ficará em 2014?

Quando o Muricy saiu, tínhamos no Claudinei uma figura vitoriosa, campeão de tudo nas categorias de base. Quando convidamos para o time principal ele ficou muito contente e muito surpreso. Ele tem um carinho e uma convivência muito boa com os jogadores jovens e depois conseguiu criar um ambiente bom com os jogadores mais velhos. Ele faz um bom trabalho. Quando o trouxemos, ele nos pediu que mudássemos o seu contrato, com todas as cláusulas de rescisão. O Comitê de Gestão está muito satisfeito com o trabalho dele, mas ainda vamos avaliar o planejamento para 2014.

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