Alberto Estevez|EFE
Alberto Estevez|EFE

'Neymar não pode ser ídolo para crianças', diz diretor da DIS

Em entrevista ao 'Marca', Roberto Moreno faz fortes críticas à postura do jogador e de seu pai na negociação o Barcelona

O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 13h13

O grupo DIS mantém um processo na Justiça espanhola contra o Neymar por suposta fraude em sua transferência para o Barcelona, em 2013. O fundo, dono de direitos econômicos sobre o atleta à época da transação, acredita que o jogador e sua família negociaram com o clube catalão sem contatá-los e repassá-los os valores sobre o negócio. 

Em entrevista ao jornal espanhol Marca, publicada nesta sexta-feira, Roberto Moreno, diretor executivo do grupo, explicou seu lado da história e faz fortes críticas à postura do camisa 11 barcelonista e de seu pai, Neymar Silva. 

"Nos sentimos traídos, fraudados e enganados. Cuidamos do jogador quando ele ainda era uma promessa. Investimos muito dinheiro apesar do risco, e chegou um momento em que ele nos enganou. Neymar não pode ser um exemplo ou um ícone para nossas criança enquanto é investigado por fraude, evasão fiscal e corrupção", disparou Roberto.

Moreno afirmou que desconfiou de uma negociação entre Neymar e Barcelona em 2012, quando, no balanço financeiro do clube, constava uma negociação de 40 milhões de euros, sendo 10 milhões de euros pagos adiantados. Depois de ler especulações na imprensa, o diretor tentou entrar com contato com Sandro Rosell, então presidente azul-grená. Ele retornou à sede do clube no dia seguinte e falou com Josep Maria Bartomeu, atual mandatário e vice-presidente à época. 

Bartomeu confirmou o interesse no jogador, mas que não passava disso. O diretor geral do Barcelona, Antoni Rossich, chegou a entregar a Moreno uma explicação por escrito na qual refutava qualquer negociação com o jogador e somente o contato feito com o Santos, omitindo uma suposta conexão com o atleta e seu pai. 

"Claro que nos surpreendeu que Wagner Ribeiro (empresário de Neymar) e seu pai, entre julho e outubro de 2011, tentaram recomprar os direitos do jogador. Nós pagamos 2,5 milhões de euros por 40% dos direitos de Neymar em 2009. No verão de 2011 nos ofereceram 7 milhões e chegaram até a 12 milhões de euros. Mas não aceitamos porque já existiam muitos clubes interessados e dispostos a pagar a cláusula de rescisão, e também não víamos como eles poderiam pagar o proposto, já que não tinham dinheiro. Por isso não fechamos. Um mês depois, em novembro, firmaram o vínculo de 40 milhões de euros com o Barcelona. Haviam oferecido esse dinheiro porque já o tinham acertado. Acho que os catalães pagaram esses 12 milhões de euros", respondeu Moreno ao Marca

Roberto Moreno afirma que o Barcelona, por meio de André Cury, seu representante no Brasil, tentou um acordo de 5 milhões de euros para que a DIS deixasse o processo contra Neymar. "Não aceitamos porque consideramos que nos devem muito mais dinheiro, que corresponde à porcentagem sobre os 40 milhões de euros que o Barcelona pagou pela transferência do jogador e sua família, estes que não dispunham de direitos sobre o atleta. Os verdadeiros titulares éramos nós (DIS), Santos e TEISA."

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