REUTERS/Albert Gea
REUTERS/Albert Gea

Estafe de Neymar rebate DIS e diz que craque não será preso

Empresa do jogador chama grupo responsável pela ação na Espanha de 'ganancioso'

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2017 | 11h58

A empresa NN Consultoria, responsável pela gestão de carreira do atacante Neymar, comentou a decisão da Justiça da Espanha que rejeitou os recursos apresentados pelo jogador, Barcelona, Santos, a empresa N&N e a mãe do jogador, Nadine Gonçalves, contra a acusação de corrupção e fraude na negociação do craque, em 2013, e, portanto, manteve aberto o processo criminal. O documento chama o Grupo DIS de "ganancioso" e afirma que Neymar não será preso.

“Tecnicamente a Audiência Nacional repetiu a decisão anterior, proferida no ano passado e amplamente divulgada, entendendo que, por ora, não deve excluir ninguém preliminarmente do processo, devendo os fatos e condutas serem analisados, as defesas apresentadas, as provas produzidas para, ao final, caso entendam que realmente não há crime, ser proferida uma sentença absolutória. Isto significa que não há neste momento nenhuma possibilidade de decretação de prisão de nenhuma das partes envolvidas", diz trecho do documento. "Felizmente, sentimento não compartilhado pelo ganancioso Grupo DIS, o Atleta da Seleção Brasileira Neymar Jr. não será preso", diz o trecho final da carta.

Em outro trecho, o documento cita notícias da imprensa espanhola, entre eles, o jornal "La Vanguardia", e garante que não houve crime. "Estamos seguros que no final do processo será reconhecido que não foi praticado nenhum crime, prevalecendo, sem dúvida, que qualquer atleta profissional, não só o Neymar, tem o sagrado direito de escolher onde quer trabalhar, independentemente da condição financeira oferecida, ou seja, como afirmado pelo advogado especialista, a escravidão acabou. Pensar em qualquer solução diferente é jogar no lixo todos os direitos e garantias fundamentais conquistados em um Estado Democrático de Direito, seja no Brasil, seja na Espanha."

O grupo de investimento brasileiro DIS, que era dono de 40% dos direitos de transferência de Neymar, recorreu à Justiça espanhola afirmando ter recebido menos do que deveria pela transferência do jogador do Santos ao Barcelona em 2013. Investigações na Espanha e no Brasil apontam que arte da quantia de transferência de Neymar foi ocultada. Oficialmente, ele foi vendido oficialmente por 17,1 mi de euros, mas a Justiça espanhola estima que a transação total atinja 83 mi de euros. “Ganhamos o recurso do Neymar e do Barcelona e agora não tem mais saída, pois todos ‘sentarão’ nos bancos dos réus e podem pegar até cinco anos de cadeia”, afirmou Paulo Nasser, advogado da DIS, logo após a decisão da Justiça espanhola.

Em nota, o Santos também se manifestou. "Caso os recursos sejam negados, o processo crime correrá normalmente, com possibilidade de manifestação de todos os envolvidos, realização de provas por testemunhas, documentos e todas as que forem necessárias para a defesa dos interesses do Santos", diz nota oficial do clube. 

Abaixo, a íntegra da nota oficial da NN Consultoria: 

“Em relação à notícia veiculada desde ontem acerca da decisão proferida pela Audiência Nacional, com a rejeição do recurso interposto pelas partes acusadas na Espanha pelo Fundo DIS, dentre elas o Atleta Neymar Jr. e as pessoas que o cercam, faremos breves esclarecimentos.

Tecnicamente a Audiência Nacional repetiu a decisão anterior, proferida no ano passado e amplamente divulgada, entendendo que, por ora, não deve excluir ninguém preliminarmente do processo, devendo os fatos e condutas serem analisados, as defesas apresentadas, as provas produzidas para, ao final, caso entendam que realmente não há crime, ser proferida uma sentença absolutória. Isto significa que não há neste momento nenhuma possibilidade de decretação de prisão de nenhuma das partes envolvidas.

Segundo a acusação do Ministério Público Espanhol, o Atleta Neymar Jr., seus pais e as empresas de sua titularidade, teriam cometido o crime de “corrupção no negócios”, pelos fatos ocorridos em 2011, principalmente por terem, junto com o FC Barcelona, frustrado o direito à livre concorrência no mercado do futebol. Para os especialistas na Espanha, contudo, não há crime, tanto que estão perplexos com as acusações, sugerindo categoricamente que ao final do processo, certamente haverá absolvição pela inexistência do crime tipificado pela acusação. Esta é a conclusão estampada no Jornal “La Varguadia”, na edição de hoje em que advogados especialistas analisaram a decisão da Audiência Nacional e o consequente prosseguimento do processo:

Una acusación que, por más que el procedimiento vaya avanzando, no deja de producir auténtica perplejidad, especialmente por el concreto delito cuya comisión se atribuye al jugador: la corrupción en los negocios. Este delito, introducido en España hace unos pocos años y sin apenas tradición todavia em nuestros tribunales, está pensado sobre todo para castigar a aquellos directivos o empleados que son sobornados por terceiros para perjudicar los intereses de su propia empresa. Tal es el caso, por citar un ejemplo habitual, del directivo que accede a cambio de una compensación económica a

que su compañía pague a los provedores precios más elevados que los que realmente podría conseguir por la adquisición de determinados produtos o servicios. Probablemente se estarán preguntando los lectores qué tiene que ver este delito con Neymar. Según el fiscal y la sala dela Audiencia Nacional, cuando el jugador se comprometió a fichar con el Barça unos años antes de que finalizara su contrato con el Santos frustró con tal compromiso la expectativa del fondo inversor brasileño DIS, que tenía un porcentaje sobre sus derechos federativos, de que al acabar el contrato se organizara una auténtica subasta entre los mejores clubs del mundo pujando por adquirir al astro brasileño. Así, de acuerdo con la tesis de la fiscalía, el hecho de que Neymar estuviera ya comprometido de antemano con el Barcelona para cuando adquiriese su libertad contractual impidió su entrada em el mercado de los fichajes y redujo el porcentaje que correspondía a DIS, ocasionándole un perjuicio patrimonial. Ello aun cuando el jugador nunca se hubiera comprometido expresamente a permitir que se organizara semejante puja. El planteamiento que late tras esta acusación es que cuando un futebolista ha cedido sus derechos total o parcialmente a um tercero, está obligado a tolerar que en torno a su futuro profesional se organice uma auténtica subasta para conseguir sus derechos federativos, sin que importe lo más mínimo si el jugador quiere o no jugar em el club que está dispuesto a pagar el precio más elevado. Sin ir más lejos, por todos es sabido que si Neymar vino a Barcelona no fue por dinero –pues pudo haber ido a otros equipos rompendo su compromisso com el Barça–, sino porque era su sueño desde niño poder jugar em su actual equipo. Según el fiscal, que un futebolista pretenda decidir em qué club quiere jugar no sólo puede suponer uma vulneración contractual, sino que implica nada menos que la comisión de un auténtico delito castigado con pena de prisión. Y ello sin que a tal efecto importe, en absoluto, que Neymar jamás haya sido um directivo o empleado de DIS, lo que parecería un requisito básico para aplicarle el delito de corrupción em los negocios. Uno pensaba que, afortunadamente, la esclavitud había sido abolida hace muchos años. Pero leyendo ciertos escritos forenses parece que no haya sido así” (Pau Molins – La Vangaurdia / Martes 21 Febrero 2017 - a íntegra  e original da matéria está na sequência).

Estamos seguros que no final do processo será reconhecido que não foi praticado nenhum crime, prevalecendo, sem dúvida, que qualquer atleta profissional, não só o Neymar, tem o sagrado direito de escolher onde quer trabalhar, independentemente da condição financeira oferecida, ou seja, como afirmado pelo advogado especialista, a escravidão acabou. Pensar em qualquer solução diferente é jogar no lixo todos os direitos e garantias fundamentais conquistados em um Estado Democrático de Direito, seja no Brasil, seja na Espanha.

Felizmente, sentimento não compartilhado pelo ganancioso Grupo DIS, o Atleta da Seleção Brasileira Neymar Jr. não será preso.” (NN Consultoria Esportiva e Empresarial, empresa responsável pela Gestão de Carreira do Atleta Neymar Jr.).

 

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