Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Neymar sabe bem o que ele representa', afirma Juninho Paulista

Pentacampeão pelo Brasil, meia afirma que atacante merece um cuidado especial

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 05h00

Campeão mundial com a seleção brasileira na Copa de 2002, Juninho Paulista mostra confiança para a sequência do Mundial, entende que Neymar pode fazer a diferença e merece um cuidado especial. Em entrevista ao Estado, o ex-meia apontou seus favoritos para o título, defendeu o trabalho de Tite e disse o que achou dos dois primeiros jogos do time brasileiro no Mundial.

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O que achou da atuação da seleção contra a Costa Rica?

Gostei muito. Aprovei o primeiro tempo da partida contra a Suíça e o segundo tempo diante da Costa Rica. O Brasil foi mais agressivo e soube dominar o adversário. Talvez, se tivéssemos mais agressividade, toque de bola rápido e penetrações, o jogo seria até mais tranquilo. Faltou um pouco de concentração e jogadas pelas pontas e pelo meio, algo que melhorou quando o Firmino entrou, pois deu uma povoada no meio de campo. Firmino, Gabriel Jesus e Douglas Costa juntos deram certo. O Brasil mudou de atitude, o Tite foi ousado na substituição e acho que estamos no caminho.

Acha que a seleção está sabendo lidar bem com a pressão?

Estamos sofrendo como todas as outras seleções. Muitos favoritos estão vencendo por 1 a 0 e acredito que Copa do Mundo é assim mesmo. Não tem jogo fácil e não dá muito para ficar escolhendo adversários, pois é um torneio curto. Tem que tentar ganhar todas. Não ganha, vem pressão mesmo e o fato de ter empatado na estreia criou essa situação. Chegamos a dominar a Costa Rica e vi que, em alguns momentos, a ansiedade atrapalhou. Um resultado ruim poderia complicar demais a situação.

O Neymar é quem mais está sentindo essa pressão?

O Neymar é humano. Ele sabe da importância dele e de tudo que está ao seu redor. Ele vê redes sociais e o que as pessoas falam e pensam sobre sua vida e futebol. Se ele não sentisse toda essa responsabilidade é que seria anormal. A gente tem que lembrar que ele ficou três meses parado, está se recuperando de lesão e atuou só uma partida por 90 minutos antes de começar a Copa.

Contra a Costa Rica, acredita que ele foi bem?

Eu gostei mais dele nesta partida e a tendência é ele ir melhorando de acordo com as partidas. Quando você para de jogar, é natural perder o ritmo. Creio que ele evoluiu bastante de um jogo para o outro e a tendência é evoluir ainda mais. Ele não é uma máquina e as pessoas precisam lembrar disso antes de cobrá-lo. Há momentos que ele vai jogar e ir bem e, em outros, nem tanto.

 

Quanto ao Tite, aprova o trabalho dele?

Na primeira partida, eu estranhei o fato dele não colocar o Fernandinho no lugar do Casemiro, pois daria uma nova cara ao time, mas é difícil falar alguma coisa estando longe. Futebol tem muita coisa que acontece nos bastidores. Isso é uma coisa que você acaba sentindo nos treinamentos. Acredito que o Tite tenha uma experiência nova e está assimilando bem tudo isso. Ele sabe bem o que é a pressão de comandar a seleção brasileira, já que passou por vários grandes clubes do Brasil e sempre teve muito sucesso. O Tite é um treinador que tem um relacionamento franco com sua comissão técnica e, em caso de problema, sabe como gerenciar bem a situação. Confio muito nele.

E na seleção brasileira, dá para confiar e falar em título? Quem são seus favoritos?

Eu acredito no Brasil, sim. É uma seleção que vai crescer ao longo da Copa do Mundo e pode conquistar o título. Eu gosto muito também da França. É uma seleção que tem muita qualidade individual e vejo ser um time bem parecido com o do Brasil. Eu aposto na Espanha e na Bélgica também. Se for para arriscar em uma surpresa, eu colocaria a Croácia. É um time que está jogando muito bem e tem uma qualidade diferenciada no meio de campo, com Modric e Rakitic. Creio que essas são as seleções que mais me chamaram atenção nessas primeiras rodadas do Mundial.

 

 

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