Nilton Fukuda/Estadão
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Neymar sai mais fortalecido da Liga dos Campeões

Atacante brasileiro volta a se comprometer com o time e faz temporada séria no PSG, apesar do segundo lugar diante do Bayern de Munique

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2020 | 05h00

Não deu para o PSG nem para Neymar na final da Liga dos Campeões. Ficar em segundo lugar foi o degrau mais alto que esse time, com o brasileiro, conseguiu no projeto de três anos e de um caminhão de dinheiro do clube francês. Na decisão com o excelente Bayern de Munique, faltou um pouquinho mais do jogador brasileiro, parado no jogo muitas vezes com faltas duras pelos rivais. Mesmo assim, Neymar fez algumas das suas em campo. Dos seus pés o torcedor do Paris esperava as melhores jogadas para abrir caminho na defesa no time de Munique, que marcou 43 gols na disputa e ganhou todos os 11 jogos.

Neymar chorou e foi consolado pelos companheiros e adversários. Desta vez, lágrimas merecidas. Porque seu sonho e tudo o que fez para o Paris Saint-Germain nesta Liga estiveram sempre acima das outras edições.

Ele tinha motivo para chorar porque chegou muito perto da conquista com o time e de uma vitória pessoal ao retomar sua carreira neste ano depois de tantos sobressaltos, como contusões em momentos importantes e confusões extra campo. Esta Liga dos Campeões e todos os torneios que Neymar disputou na temporada 2019/20, ganhando a maioria deles dentro da França, mudaram sua imagem no mundo.

Neymar deixou de ser um menino mimado, um garoto sem noção e sempre se colocando acima do bem e do mal, das obrigações e regras de um profissional, para se tornar um autêntico camisa 10, concentrado na sua profissão, no seu condicionamento físico e também no trabalho coletivo, como foi a vitória do PSG sobre o Leipzig na semifinal. De modo a ter novamente o nome lembrado para ser o melhor do mundo. Com a derrota na final para o Bayern, as chances de ficar com a premiação da Fifa tornaram-se menores, mas seu trabalho antes e depois da parada do futebol por causa da pandemia coloca seu nome mais uma vez em evidência, e desta vez positivamente.

O PSG não vai mais existir do jeito que o torcedor de Paris se acostumou a ver nos últimos anos. Thiago Silva, o capitão que queria tanto se despedir erguendo o troféu da Liga, deu adeus à camisa que defendeu durante oito anos. Cavani já foi embora. Outros também devem encerrar o ciclo nesta derrota para o rival da Alemanha.

Um deles, no entanto, promete agitar mais uma vez o mercado europeu do futebol e as redes sociais do mundo inteiro. Sim, refiro-me a Neymar. Ele tinha se compromissado com a diretoria do PSG de oferecer total atenção às coisas do clube nesta temporada, como, de fato, fez em todas as partidas e disputas. Queria, no começo do ano, voltar para o Barcelona a fim de socorrer Messi e Suárez que precisavam de sua ajuda, como se provou ao longo do ano. Hoje, sua volta, se ela acontecer, dará ao atacante brasileiro uma outra condição.

Neymar está refeito. Neymar enterrou todos os seus problemas. Encerra a temporada, apesar da derrota, em alta e com mais prestígio. Tivesse jogado um pouquinho mais, talvez a história escrita desse confronto tivesse um final diferente. Faltou sim uma pitada de Neymar na grande decisão em Lisboa.

Isso não muda em nada a imagem que ele deixou nos brasileiros, mesmo naqueles que torcem o nariz pelo seu futebol e recente carreira.

Duvido, porém, que ele aceite mais uma empreitada no PSG, apesar do contrato vigente. Suas lágrimas também podem significar um adeus. Depois de a adrenalina baixar, certamente as partes que representam o atleta e o clube vão se reunir para apontar os próximos passos. Neymar deverá levar em consideração um outro sonho a partir de agora: classificar a seleção brasileira para a Copa do Catar, em 2022, e tentar pela terceira vez o título que ainda lhe falta na carreira, o de campeão do mundo com o Brasil.

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