Lluis Gene/AFP
Lluis Gene/AFP

Neymar será julgado por 3 magistrados por fraude na transferência ao Barcelona

Grupo DIS, que detinha 40% dos direitos federativos do jogador, alega ter sido lesado em negociação

EFE

31 de outubro de 2018 | 10h48

Um tribunal composto por três juízes irá julgar  Neymar e o presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, pela acusação de crimes de corrupção e fraude na transferência do jogador do Santos pelo clube catalão, em meados de 2013. No processo, o grupo brasileiro DIS, que detinha 40% dos direitos federativos do atacante, alega ter sido prejudicado, pois o valor  declarado no negócio foi menor do que o efetivamente pago. 

A Audiência Nacional apontou que a contratação custou um total de  83,3 milhões de euros (R$ 351,5 milhões pelo câmbio atual), mas a DIS recebeu apenas os 40% referentes a uma transação de 17 milhões de euros (R$ 71,7 milhões).

O caso  será apreciado por três magistrados porque o juiz José María Vázquez Honrubia, da Audiência Nacional, decidiu levar o julgamento para a Sala Penal em vez de apenas ele tomar a decisão.

A decisão de Honrubia é baseada na acusação particular apresentada pelo DIS, que pediu a condenação de Neymar por fraude, o que, segundo o Código Penal, é passível de penas de até seis anos de prisão. Mas o juizado que ele comanda só pode julgar casos com pena máxima de cinco anos.

O grupo DIS também pede cinco anos de prisão para o pai do camisa 10 do Paris Saint-Germain, Neymar da Silva Santos, assim como para Bartomeu e o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, além da aplicação de uma multa de ¤ 195 milhões (R$ 822,9 milhão) ao clube espanhol.

A Promotoria da Audiência Nacional, por sua vez, pede dois anos de prisão e 10 milhões de euros (R$ 42,2 milhões) de multa para Neymar e cinco anos de prisão para Rosell.

O ex-presidente do Barcelona, por sinal, cumpre prisão preventiva e será julgado em fevereiro do ano que vem pela Audiência Nacional em outro processo, sobre lavagem de dinheiro em negócios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na época em que a entidade erá presidida por Ricardo Teixeira.

O Ministério Público espanhol, que não acusa Bartomeu, reivindica também  8,4 milhões de euros (R$ 35,4 milhões) de multa para o Barcelona e 7 milhões (R$29,5 milhões) para o Santos.

Além disso, o órgão pede dois anos de prisão para o pai de Neymar e um ano para sua mãe, ambos por corrupção nos negócios, acusação que também cai sobre o jogador, e pede uma multa de 1,4 milhão de euros (R$ 5,9 milhões) para a empresa da família, a N&N.

Outro lado

Por meio de sua assessoria, a empresa da família de Neymar informou no final da tarde de ontem que não foi notificada oficialmente, mas mesmo assim se posicionou, com base nas informações publicadas pela imprensa espanhola. “Entendemos que é uma noticia, ao contrário do noticiado, muito boa, pois é o segundo juiz que indefere o pedido da DIS se declarando incompetente para o julgamento’’, afirma.

De acordo com a nota, “ao se declarar incompetente para julgar o caso, o juiz Jose María Vázquez Honrubia reforça o pedido que foi negado à defesa do atleta Neymar Jr., que contestava competência desta corte em julgar o caso. Consequentemente todos pedidos e atos praticados por essa corte tornam-se nulos’’.

A N&N conclui na nota que “fica claramente demonstrado que a Espanha não tem jurisdição para julgar a demanda da DIS’’.

 

 

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