Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Neymar visa título da Copa das Confederações para 'virar gente grande'

Atacante ainda é contestado por não brilhar em grandes jogos

MATEUS SILVA ALVES - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2013 | 08h08

RIO - Neymar chegou à Copa das Confederações com um repertório de conquistas admirável para alguém de 21 anos: campeão várias vezes com o Santos, milionário, conhecido no mundo todo, tratado como estrela por onde anda... Mas havia gente achando que ele precisava fazer mais. Muita gente. Essa turma numerosa cismava que o prodígio ainda não havia brilhado o suficiente nas grandes ocasiões. Que ele ainda não havia virado gente grande. Pois Neymar está cuidando de acabar com isso a seu modo: desequilibrando jogos importantes da seleção brasileira. E mostrando que está pronto para fazer a mesma coisa no Barcelona.

Três minutos de Copa das Confederações bastaram a Neymar para mostrar ao mundo que ele havia decidido fazer do evento-teste para o Mundial de 2014 o ponto de virada de sua carreira. O golaço contra o Japão deu início a uma trajetória triunfante do garoto de Mogi das Cruzes na competição em que foi decisivo até quando não brilhou. Foi o caso do jogo contra o Uruguai, em que um Neymar muito bem marcado não esteve à altura dele mesmo nas três primeiras partidas do torneio. Ainda assim, o craque participou do primeiro gol do Brasil e cobrou o escanteio que resultou no segundo.

Fora dos gramados, o comportamento de Neymar também tem sido louvável. Luiz Felipe Scolari, que pela primeira vez tem a chance de conviver com o jovem craque por um período prolongado, está encantado com o seu pupilo mais talentoso. O atacante está sempre disposto a treinar, não exige regalias e se dá bem com todos os companheiros. Era tudo de que Felipão mais precisava: um jogador que cria muitos problemas para os adversários e nenhum problema para ele.

Embora já tenha trabalhado com uma enorme quantidade de atletas consagrados, Felipão está impressionado com o assédio a Neymar. O gaúcho ficou pasmo ao constatar bem de perto como o jogador deixou de ser "apenas" um craque e se tornou um ícone cultural, um ídolo que arrasta pequenas multidões por onde vai, deixando para trás um longo rastro de meninas histéricas, à beira do desmaio.

"A vida desse menino é um inferno", comentou dia desses Felipão, algo estupefato. "Nos hotéis em que a seleção se concentra, ele não pode nem colocar o pé para fora do quarto. Se ele aparecer no saguão, vira uma loucura. E se ele for para a rua, então..."

Quem acompanha os passos da seleção brasileira na Copa das Confederações percebe que Neymar está bem preparado para lidar com o assédio das fãs e com as cobranças dos jornalistas, muito mais do que em tempos passados. Sempre que pode, ele dá atenção às meninas histéricas, o que, ironicamente, só aumenta a histeria. E, nas raras entrevistas que concede, o atacante foge de qualquer controvérsia com astúcia, deixando claro que a época em que se comportava como um menino assustado diante dos microfones ficou para trás.

Apesar de não ter se livrado totalmente da mania de cavar faltas e pênaltis, Neymar tem mostrado no campo a mesma maturidade que exibe fora dele. Trata-se agora de um jogador mais sério, objetivo, sem, no entanto, perder a magia. Alguém com bola e cabeça suficientes para liderar a seleção brasileira. E decidir a final da Copa das Confederações, contra a temível Espanha. Se fizer isso, ninguém mais vai duvidar que Neymar, de uma vez por todas, virou gente grande.

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