Geoffroy Van der Hasselt/AFP
Geoffroy Van der Hasselt/AFP

Neymar volta para Paris depois de passar doze dias no Brasil em recuperação

Atacante do PSG e da seleção pulou carnaval em meio ao seu tratamento do dedinho do pé direito e volta a figurar no centro do furacão

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 20h37

Caro leitor,

Folião ou não, você deve ter reparado que o personagem mais comentado do carnaval 2019 foi... Neymar, o craque do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira, aquele a quem todos nós confiamos nossos sonhos no futebol. Brincou muito em Salvador, capital nacional dos trios elétricos, e no Rio, num camarote na lendária Marquês de Sapucaí. Neymar deu o que falar ao ser flagrado com a cantora pop Anitta aos beijos e abraços, de acordo com quem estava lá. Ambos negaram. Pouco importa. Tudo perfeito não estivesse o jogador brasileiro em tratamento de lesão no dedinho do pé direito, o mesmo que o deixou meia-boca na Copa da Rússia, quando o Brasil fracassou sob seu comando técnico em campo.

Há os que acham que ele, aos 27, deve mesmo aproveitar a vida adoidado desde que cumpra seus compromissos profissionais. O próprio Neymar pensa assim. Há, no entanto, os que defendem que ele deveria se resguardar mais, evitar algumas situações enquanto não volta a jogar. Talvez o problema resida nisso: sua ausência em campo. Neymar passou por uma primeira cirurgia no local antes da Copa, mas agora preferiu o tratamento medicamentoso, à base de fisioterapia, remédios e descanso. As lesões sofridas foram muito próximas uma da outra. Ele tem cumprido à risca seu trabalho até onde se sabe, inclusive postando fotos dos exercícios físicos. O clube francês aceitou e concordou com os doze dias do atleta no Brasil. Quando embarcou no voo de Paris, o PSG sabia das condições.

Tite, até onde se sabe também, nada disse sobre o comportamento do jogador fora de campo. Aliás, quando questionado, costuma dizer que está mais interessado no Neymar jogador de futebol.

Neymar caminha para sua terceira Copa do Mundo, após dois fracassos, o primeiro no Brasil, em 2014, e o segundo no ano passado, na Rússia. Nas duas ocasiões sofreu com as lesões. No Brasil, foi tirado de campo no jogo contra a Colômbia. Covardia. Na Rússia, não estava 100%, como se soube depois da boca do treinador. O momento é de reavaliação. Neymar vai mesmo ser o que todos nós imaginávamos quando ele deixou o Santos com destino à Europa? Ou, passados cinco anos, ele já bateu a cabeça no teto, acima da maioria, mas abaixo de Messi e Cristiano, por exemplo?

Quando deixou o Santos com destino a Barcelona, Neymar tinha uma meta clara: ganhar a Europa e em pouco tempo ser eleito o melhor do mundo. Nem isso parece mais claro em seus objetivos. As metas, se ainda existem e devem existir, não são mais comentadas, conforme ele mesmo admitiu ao afirmar que ganhar o prêmio de Bola de Ouro da Fifa não é uma obsessão em sua carreira. Sabemos que já foi. Messi e CR7 continuam na mesma batida enquanto Neymar se afunda fora de campo a ponto de seu pai ter de sair em sua defesa, como todo bom pai, para rebater aos que dizem que ele ainda é mimado. Há uma percepção de que Neymar chegou ao seu ponto mais alto. Aos 27, ele teria mais dez anos de carreira. Qualquer comparação com outros craques do passado pode não ser verdadeira. Ronaldinho, Ronaldo, Romário, Kaká, todos estiveram entre os melhores do mundo em algum momento de suas carreiras. Até agora, Neymar sempre esteve degrau abaixo.

Apesar de tudo, ele sobra diante de seus oponentes. Tite, por exemplo, tem certeza de que o atacante estará melhor na Copa América, em junho, do que esteve na Copa do Mundo da Rússia. Sua recuperação seguirá em Paris, mais próximo dos seus companheiros de PSG e do cheiro da bola. Sete meses após o Mundial de 2018, sua imagem com os patrocinadores segue inabalada, assim como sua força e carisma nas redes sociais. Neymar tem 210 milhões de seguidores. Um Brasil aos seus pés. O que ele precisa "vender" para a opinião pública, talvez, é um pouco mais de comprometimento com o PSG e seleção, conforme atestou Cafu, o capitão do penta, sobre os jogadores de modo geral, sem se referir ao craque do Paris. Até o Catar, em 2022, Neymar ainda dará muito o que falar. Contaremos essa história aqui.

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