Nilton Fukuda/Estadão
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Neymarzinho Gaúcho

A atual fase de Neymar lembra muito o fim de carreira de Ronaldinho

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 04h00

Quando desembarcar em Paris nesta segunda-feira, Neymar vai poder sentir o que lhe espera no Paris Saint-Germain. Ele esticou suas férias no Brasil com o argumento de dar continuidade ao tratamento da "contusão" no tornozelo direito que o afastou da seleção brasileira na Copa América e também por motivos comerciais, conforme informou seu pai há duas semanas. 

De acordo com Neymar pai, o PSG sabia de tudo e havia concordado com a ausência do jogador aos primeiros dias de pré-temporada, informação, no entanto, contestada pelo novo diretor esportivo do clube francês, o ex-jogador Leonardo.

Neymar não se reapresentou juntamente com os outros jogadores do elenco e isso só fez aumentar a certeza de que ele não vai permanecer no PSG, embora tenha contrato por mais três temporadas com o clube francês. Daí a expectativa de sua volta a Paris, uma das cidades mais lindas do mundo e também cenário do suposto estupro que ele teria cometido de acordo com a acusação da modelo brasileira Najila Trindade. O caso está sendo investigado e, por enquanto, sem desfecho.

Por atos e declarações em seus últimos dias no Brasil, é fácil concluir que Neymar não será bem-recebido pelos seguidores do PSG. Se não mudar o corte e a cor dos cabelos na travessia do Atlântico, o camisa 10 se mostrará loiro ao técnico Tuchel - segundo o próprio atleta, na moda. Não há qualquer certeza de onde Neymar jogará a temporada 2019/20. Se no PSG, no Barcelona ou em outro time da Europa. 

Nesse momento, ele se parece muito com Ronaldinho Gaúcho, que se afastou do futebol antes do tempo para se dedicar a compromissos comerciais, aparições pagas em pequenos e grandes eventos, partidas recreativas e promocionais e baladas com amigos.

Antes de "parar", Ronaldinho ficou navegando por mares incertos. Era e não era mais jogador. Queria desfrutar do dinheiro e da fama que o futebol lhe proporcionou sem assumir rotinas e responsabilidades da profissão. Divertia-se nos eventos, cantava e dançava com os parceiros, continuou sendo bem pago e não tinha mais de seguir a cartilha do atleta profissional: não beber, não abusar do corpo nas festas que invadiam madrugada, não engordar e não deixar de treinar todos os dias.

A única diferença daquele Ronaldinho para esse Neymar é o legado que o primeiro já tinha deixado. Quando entrou nessa, Ronaldinho já era campeão do mundo com o Brasil, tinha uma coleção de títulos com o Barcelona, havia sido eleito o melhor atleta do planeta e, vez ou outra, era aplaudido pela torcida rival, como aconteceu num Barcelona x Real Madrid no Bernabéu.

Neymar vem rasgando página a página a cartilha do jogador profissional sem ter metade do que tinha seu compatriota, cumprindo a sina de que tudo em sua carreira aconteceu e acontece prematuramente. Neymar é novo demais para entrar nessa e velho demais para não saber o quer da vida.

Aos 27 anos, o melhor jogador do Brasil na atualidade e um dos melhores do mundo, indiscutivelmente, se vê à beira de um abismo. E ele, somente ele, precisa dar o próximo passo. Para frente ou para trás. Ambos terão consequências. Mas somente um lhe dará paz, lhe trará tranquilidade, fará com que sua carreira seja retomada de onde ela parou. Neymar precisa dar esse passo na certeza de que reconquistará seu lugar na história do futebol.

Depois de vê-lo nas tribunas dos estádios onde a seleção jogou na Copa América e jogando futebol na areia sem sentir a contusão, e, recentemente, atuando num campeonato de garotos que leva o nome do seu instituto, me parece evidente que seu corte da seleção foi "arranjado" para que o Brasil pudesse disputar o torneio em casa com mais tranquilamente, como foi sem ele.

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