Nilton Santos sofria de Mal de Parkinson

Família sempre preferiu esconder a doença do ex-jogador de 88 anos

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2013 | 06h26

RIO - No primeiro dia de fevereiro de 2007, Nilton Santos passou a viver na Clínica da Gávea, decisão avalizada por médicos amigos. Ele sofria de Mal de Parkinson e era cardiopata. A pedido da família, a clínica informava que Nilton tinha Mal de Alzheimer, doença da qual não foi vítima. "Ele jamais teve Alzheimer. Acatamos o apelo da família, que preferia que o problema dele fosse divulgado daquele modo", revelou nesta quarta, ao Estado, o diretor da clínica, Paulo Valença, emocionado com a morte "de uma figura humana muito fraterna e querida".

O segredo foi mantido até ontem e somente poucas pessoas sabiam da verdade – entre elas a mulher de Nilton, Célia, que está muito doente, os sobrinhos do casal, Flávio e Luciana, além dos médicos que o assistiam. "O Nilton continuava com tiradas de excelente humor e era uma pessoa admirada por todos aqui", disse Valença. Na semana passada, antes de ser internado em outra clínica da zona sul do Rio, com quadro de pneumonia, Nilton brincou com três enfermeiras: "Qual de vocês vai me dar um beijinho?" Ao ouvir uma resposta evasiva, ele completou, ainda em tom de brincadeira: "Mas eu não quero só beijinho, não".

Há pouco tempo, Nilton recebeu a visita de um grupo de torcedores do Botafogo e alguém lhe avisou que a equipe alvinegra jogaria naquele dia. Então, veio a pergunta: "Você vai jogar hoje, Nilton?" Ele foi rápido na resposta: "Só se eu ficar o tempo todo na barreira".

Nas últimas conversas que manteve na Clínica da Gávea, o campeão do mundo em 1958 e 1962 falou carinhosamente sobre o convívio com Garrincha, seu grande amigo, Pelé e também sobre o Botafogo, tema obrigatório em seu dia a dia. Sua fidelidade ao clube foi eterna e ele era constantemente homenageado pela diretoria e pelos jogadores botafoguenses.

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