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Felipe Rau / Estadão
Hospital de campanha está instalado no Pacaembu para receber pacientes infectados pelo novo coronavírus Felipe Rau / Estadão

Estádio do Pacaembu completa 80 anos ajudando na luta contra pandemia

Mais tradicional estádio paulistano troca o futebol pelo hospital de campanha para 200 pacientes

Leandro Silveira, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2020 | 07h00

Sem receber uma partida oficial desde 29 de fevereiro, o Estádio Paulo Machado de Carvalho, conhecido como Pacaembu pela sua localização, completa 80 anos da sua inauguração nesta segunda-feira até mais ativo do que anteriormente. Afinal, teve sua estrutura transformada em hospital para ajudar no combate à pandemia do novo coronavírus e a salvar vidas.

Foi o primeiro hospital de campanha a entrar em funcionamento em São Paulo, epicentro da doença no País. A construção da infraestrutura de 6.300m² levou 12 dias, tendo sido entregue em 1.º de abril, quando a Organização Social de Saúde Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, assumiu a unidade e instalação da estrutura e dos equipamentos hospitalares, fez a higienização e deu treinamento aos funcionários.

Idealizado para atender apenas pacientes de baixa e média complexidade, transferidos de outros equipamentos de saúde da capital, o hospital temporário possui 200 leitos, com oxigênio disponível para todos, além de salas de estabilização e de acolhimento dos familiares, tendo estrutura para realizar diagnóstico por imagem e exames de sangue e de urina.

“O Pacaembu é um local onde muita gente foi chorar, de tristeza ou alegria, para o seu time de futebol. É icônico para São Paulo, um cartão-postal. E agora se reveste de mais importância, atendendo a população nessa pandemia”, disse o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

O “jogo” contra o vírus é o mais importante de uma história de glórias do octogenário Pacaembu, um estádio que nasceu e construiu a sua trajetória como um dos símbolos da cidade. A arquitetura, com traços de art déco, o que incluía em seu projeto original a concha acústica, posteriormente substituída pelo tobogã, é ainda considerada uma das mais belas dos estádios brasileiros, mesmo com a construção e inauguração de vários outros nos últimos anos.

“É o estádio onde você está mais próximo do campo. Perto o bastante para ver o jogo e longe o suficiente para observar o campo todo”, define o jornalista José Maria de Aquino.

Além de ter se transformado em hospital de campanha, 2020 está marcado na história do Pacaembu por ter passado para as mãos da iniciativa privada. A Allegra Pacaembu assumiu a gestão pelos próximos 35 anos. Neste primeiro, foram realizados três jogos: a decisão da Copa São Paulo, uma partida do Palmeiras e um clássico entre o clube alviverde e o Santos.

A administradora assumiu o estádio, a piscina, as quadras de tênis, o estacionamento e o ginásio poliesportivo. O Museu do Futebol continua sendo gerido pela Organização Social de Cultura IDBrasil Cultura, Educação e Esporte, em concessão do governo estadual, enquanto o município segue sendo o responsável pela Praça Charles Miller. A reforma do complexo, que inclui a demolição do tobogã, deverá começar em meados de 2021.

Nesse contexto, sua utilização como hospital de campanha parece ter vindo para confirmar o conceito de patrimônio da população logo no momento em que foi repassado para a iniciativa privada. “Nunca imaginamos que viveríamos um momento como esse, como cidadão ou empresário”, diz Eduardo Barella, presidente da concessionária que o administra.

Ele aponta, porém, para o peso histórico do momento em que assumiu a gestão do estádio. “É mais um capítulo bonito, que vai ficar marcado em sua história. Vai passar e o Pacaembu continuará a contar casos importantes da cidade. É o lugar onde todo mundo tem uma história e uma relação afetiva. Isso vai torná-lo ainda mais bonito, como uma marca”, avalia.

A opinião é compartilhada por Muricy Ramalho, que trabalhou no estádio como jogador e técnico e frequentou as arquibancadas como torcedor. “É o estádio de todo mundo. É engraçado que todas as torcidas e times gostam de jogar lá. Ele representa a cidade de São Paulo. Eu adorava”, afirma. “Para a história do Pacaembu ficar completa, só faltava essa parte social, ajudando a salvar vidas.”

HISTÓRIA

Inaugurado em 27 de abril de 1940, o Pacaembu foi palco de momentos marcantes da cidade e dos seus clubes. Vivenciou feitos que ultrapassaram os limites territoriais paulistas. Um dia após ser inaugurado, recebeu os primeiros jogos, a goleada do Palestra Itália (hoje Palmeiras) por 6 a 2 sobre o Coritiba e o triunfo do Corinthians, 4 a 2, contra o Atlético-MG. Dois anos depois, teria seu maior público até então, os inimagináveis 71.281 torcedores, para ver o 3 a 3 do São Paulo, de Leônidas da Silva, com o Corinthians.

Em 1950, o Pacaembu recebeu seis jogos da Copa do Mundo. Também foi no estádio que o Santos de Pelé exibiu o talento do maior esquadrão do futebol brasileiro, levando o Rei a ser o maior artilheiro da história do estádio, com 115 gols.

Na atual década, o Pacaembu foi palco da conquista do título da Libertadores pelos dois alvinegros paulistas. Em 2011, o Santos, de Neymar, venceu o Peñarol na decisão; no ano seguinte foi a vez de o Corinthians ser campeão no estádio, diante do Boca Juniors.

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