Fifa
Fifa

No banco da seleção croata, ‘tia Iva’ faz história na Copa da Rússia

Chefe de organização da Croácia é a primeira mulher a ficar na beira do campo em um Mundial da Fifa

Ciro Campos, enviado especial / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 05h00

Em uma Copa do Mundo com grande repercussão de casos de machismo e assédio a torcedoras e jornalistas, há um marco positivo nesse sentido. A croata Iva Olivari, de 49 anos, faz história na Rússia ao ser a primeira mulher a se sentar no banco de reservas em um Mundial da Fifa. Ela chefia a organização da seleção da Croácia, uma das semifinalistas do torneio.

+ Fifa adverte croata por comemoração pró-Ucrânia após classificação para semifinal

+ Presidente da Croácia vai ao vestiário celebrar vitória e é alvo de críticas

+ Lovren exalta 'força mental' da Croácia, mas alerta para ingleses: 'São geniais'

Iva é chefe de seleções, trabalho equivalente ao desempenhado por Edu Gaspar na CBF. É ela a responsável pela logística de viagens, atendimento às necessidades dos jogadores, planejamento de competições e interlocução com equipes de base. Trata-se de profissional importante no time, chamada carinhosamente pelos atletas de “tia Iva”.

Seu trabalho pelo esporte croata tem longa trajetória. Ex-tenista, Iva se destacou como campeã nacional da antiga Iugoslávia, até encerrar a carreira após seguidas lesões no pulso. Quando a Croácia se tornou independente, em 1992, os dirigentes criaram a federação do país e logo contrataram Iva para responder pela organização da entidade.

Sua função inicial foi cuidar do registro dos atletas do novo país e ajudar na criação de campeonatos regionais. A tarefa fez Iva se tornar próxima de craques como Davor Suker. O atacante artilheiro da Copa do Mundo de 1998, quando a Croácia também foi semifinalista, se tornou presidente da federação em 2012 e promoveu Iva à chefia de seleções.

 

A dirigente teve atuação decisiva na preparação da campanha da Croácia na Rússia. Em outubro, antes da repescagem para a Copa, a federação tomou a decisão de trocar de treinador e apostar em Zlatko Dalic, amigo de Iva desde as anos 1990. Após a classificação, Iva foi à Rússia inspecionar locais para a equipe se concentrar e escolheu a calmaria e o isolamento de um resort em Illichevo, a cerca de 60 quilômetros da grande São Petersburgo.

A estreia de Iva no banco do time se deu na Eurocopa de 2016. A chefe da seleção costuma se sentar perto do técnico e auxiliar em procedimentos do jogo, como as substituições. Durante os treinos, ele conversa com os jogadores. “Nós (mulheres)  não temos de jogar futebol para sermos representadas. Podemos fazer várias coisas que tenham conexão com o esporte, como a administração”, disse para a AFP.

Iva sonha em fazer história. Se a Croácia ganhar a Copa de 2018, a ex-tenista será a primeira mulher com chance de ter em mãos o troféu de campeão do mundo.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.