No banco de Brasil x Espanha, os poderosos chefões

Pouco tempo depois de voltar à seleção, Felipão está em mais uma final. E terá Vicente del Bosque pela frente

SÍLVIO BARSETTI - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2013 | 08h06

RIO - Em sua última entrevista antes da decisão da Copa das Confederações, o técnico Luiz Felipe Scolari mostrou mais uma vez que é avesso a protocolos. Brincou com alguns repórteres, interrompeu perguntas para improvisar um e outro comentário e deixou mais leve o ambiente no auditório do Maracanã no fim da tarde de sábado. Sereno, reclamou de um acesso de tosse, disse que parecia trazer "três gatos no peito" e não hesitou em acionar o sinal de alerta para a forte seleção da Espanha, adversária do Brasil às 19 horas, no Maracanã.

 

"Se vencermos, e temos condições, vamos dar um recado para o mundo que queremos a Copa de 2014." Em seguida, definiu os limites do futebol vistoso. "Todos querem jogar bonito e vencer. Mas o que fica para a história é o resultado."

Nos últimos dias, Felipão manteve o bom humor na maior parte do tempo. O relato de um pequeno incidente na semifinal com o Uruguai, durante bate papo com alguns jornalistas na quinta-feira, ainda em Belo Horizonte, revela seu lado espirituoso e jovial.

 

O jogo estava no intervalo e a torcida aplaudia os atletas na saída de campo, no Mineirão. O confronto entre os rivais, tenso, na quarta-feira, teve um lance capital logo no início – pênalti de David Luiz em Lugano. Entre a decisão do árbitro Enrique Osses e a defesa de Julio Cesar, Felipão andava de um lado para outro. Estava inconformado, gesticulava muito e não seria recomendável uma leitura labial mais apurada daquele protesto.

 

Como determina a Fifa, as seleções têm de voltar para o vestiário juntas, também acompanhadas pelo árbitro e seus assistentes. Passam por um túnel e cada grupo segue seu rumo. No instante em que caminhava para o local, Felipão notou que Osses se aproximava e murmurou para o coordenador Carlos Alberto Parreira. "Fica na frente e amacia a situação." O pedido foi atendido. Parreira cumprimentou Osses e conversou amistosamente com ele por alguns segundos.

 

Ao notar que Felipão se escorava no coordenador, o árbitro virou-se para o técnico e perguntou, com um leve sorriso. "E então, não foi pênalti?" A informação de que David Luiz havia puxado Lugano na área já circulava havia minutos por toda comissão técnica. Felipão então respondeu. "Pênalti foi, sim, claríssimo", disse. Em seguida, emendou. "Mas no resto tu ferraste a gente." O árbitro titubeou, não esperava aquela reprimenda e ficou quieto. Logo, surgiu a voz pausada de Parreira para de novo amenizar o clima.

 

"Esbravejei, falei aquelas coisas todas, sorte que tinha ali o Parreira, fino como ele é", contou, no hall do hotel. Atento a tudo que cerca a seleção, Felipão garante que é o mesmo de 2002, quando conquistou o Mundial no Japão. "Se tiver de ser grosseiro para defender algo correto, serei." Na seleção, ninguém comenta se ele mudou ou não. Todos concordam com o parecer de Parreira. "Ele é um homem feliz. Basta."

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