No Carioca 2003 não falta confusão

Se no ano passado, o Campeonato Carioca foi apelidado de Caixão-2002, o atual segue o mesmo caminho. Confusões não faltam em mais uma competição organizada pelos atrapalhados dirigentes dos quatro grandes clubes - Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo - aliados ao famoso presidente da Federação de Futebol do Rio (Ferj), Eduardo Viana, o Caixa d? Água. Viana está na presidência da federação há mais de 15 anos e não aparenta que deixará o cargo tão cedo. Ele não encontra oposição dos presidentes do Vasco, Eurico Miranda; do Flamengo, Hélio Ferraz; do Fluminense, David Fischel e do Botafogo, Bebeto de Freitas. A única voz que se pronunciou contra o Caixa d? Água, durante o arbitral realizado no início do ano, foi a do presidente do São Cristovão, Armando Novaes. No atual Campeonato Carioca, tudo é motivo para bate-bocas, sempre há brigas, vaidades e o regulamento nunca é 100% claro, deixando margem à dúvidas. Sempre com a intenção de, em algum momento, driblar algum artigo. No início da competição, houve grande discussão por causa da suspensão por três ou cinco cartões amarelos. O pagamento de uma multa - algo em torno de R$ 500 - liberaria o jogador da punição. Após muitas conversas, o bom senso prevaleceu e a suspensão por três cartões foi aprovada. Agora, a discussão é sobre o perdão dos jogadores pendurados e daqueles que receberam o terceiro cartão amarelo ou o vermelho, na última rodada da primeira fase. De acordo com o regulamento, somente os atletas com um ou dois cartões seriam beneficiados. O restante deve cumprir um jogo de suspensão. Casos do meia Marcelinho, do Vasco, e do zagueiro Fernando, do Flamengo, ambos expulsos na decisão da Taça Guanabara. Mas os dirigentes já pensam em organizar um julgamento extrordinário no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) para absolver os dois jogadores. Esta última rodada, aliás, ainda não terminou. Inicialmente marcada para o sábado de carnaval, ela foi dividida em dois dias.Tudo porque o Americano, time de Eduardo Viana, teve um jogo adiado - contra o América - já que no mesmo dia tinha uma partida pela Copa do Brasil. Com isso, parte da rodada aconteceu no último sábado, com destaque para o clássico entre Vasco e Flamengo, que decidiu, teoricamente, a Taça Guanabara. Isto porque o Americano ainda tem chances de ser campeão. Mas, mesmo assim, o time vascaíno deu a volta olímpica. A segunda parte da rodada acontece nesta quarta-feira, com dois jogos: América e Botafogo, em Édson Passos, e Americano e Friburguense, em Campos. Se quiser ser campeão, o Americano terá que vencer o Friburguense por oito gols de diferença. Tarefa impossível? Talvez para um outro time pequeno, mas em se tratando da equipe de Campos, tudo pode acontecer. A partida acontece em Campos, sem televisionamento, num dia em que todas as atenções estarão voltadas para a apuração do desfile das escolas de samba. Quem sabe não se repete o que aconteceu na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando a seleção da casa goleou o Peru, por 6 a 0, e eliminou o Brasil? Sem contar que o Americano parece ter sido favorecido nas últimas partidas do Carioca. No último sábado, o América teve um gol legal anulado. E o gol do time de Campos foi marcado de pênalti, após muita reclamação dos jogadores do América. O técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, chegou a dizer, mais de uma vez, que havia roubalheira na competição. Depois, acabou mudando o discurso para não se comprometer. Outra confusão aconteceu no empate entre Bangu e Olaria, por 0 a 0, também no sábado. Após a marcação de um pênalti, os jogadores do Olaria e o técnico Sérgio Cosme não permitiram que a penalidade fosse cobrada. O juiz José Roberto Ezequiel expulsou todos os atletas do time zona norte e encerrou o jogo. Nos próximos dias, o TJD deve se pronunciar sobre o caso. A tendência é a de que o Bangu ganhe os pontos por causa da atitude antidesportiva do adversário.

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