Luiz Alexandre Souza Ventura - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 07h00

O ano de 2019 marcará uma nova fase para o futebol na Baixada Santista e no País. Será em setembro desse ano que ficará pronta a nova arena do Santos, segundo estimativas do presidente do clube, Modesto Roma Júnior. Com um orçamento previsto de R$ 450 milhões, o projeto da Conexão 3 e da Fernandes Arquitetos Associados (responsável, entre outras obras, pela modernização do Maracanã, no Rio de Janeiro, para a Copa de 2014) será totalmente bancado por investidores. A construção deve começar em março de 2017 e durar aproximadamente 30 meses (veja abaixo o projeto).

"O Santos não vai gastar um centavo. Esse grupo de investidores financiará a construção e ficará com 60% da renda que o novo estádio irá gerar", diz Roma Júnior. "Ainda estamos em prospecção e temos empresas interessadas, mas nenhum nome está definido", afirma o presidente.

A nova arena deve ocupar uma área total de 110.362,96 metros quadrados no bairro do Jabaquara, no perímetro que envolve as avenidas Joaquim Távora, Francisco Manoel e Pinheiro Machado (Canal 1), entre o Estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista, e a Associação Atlética dos Portuários de Santos. A previsão é de que o novo estádio tenha capacidade para 27.286 torcedores (a Vila comporta pouco mais de 16 mil), 54% nas arquibancadas, 27% em cadeiras, 14% em assentos premium e 5% em camarotes. Haverá ainda um estacionamento de aproximadamente 56 mil metros quadrados, com 1.932 vagas.

"Será uma arena multiuso para partidas de futebol, eventos e shows. O campo irá abrigar jogos e outros espetáculos, mas não haverá áreas separadas ou quadras para outros esportes", diz Modesto Roma. O presidente do Santos considera a construção do novo equipamento um avanço para a região. "Não há um espaço para shows com capacidade para mais de seis mil pessoas na cidade. Somente o Portuários ou o Mendes (centro de convenções) conseguem reunir esse público", diz.

 

 

 

O otimismo de Modesto Roma Júnior não é compartilhado por todos os santistas. Entre os torcedores há quem considere caro demais sustentar os dois estádios. "Manter a Vila e a nova arena seria insustentável, algo sem sentido. Precisa ser analisado se vamos ou não crescer, não podemos bancar os dois locais", diz o empresário Umberto Feio Junior. Sócio do clube desde que nasceu, há 44 anos, ele defende a tradição e a identidade do Peixe. "O mundo se transforma rapidamente e os grandes clubes de futebol precisam se realinhar com a nova época. Uma nova arena para o Santos seria muito interessante, desde que o clube não perca suas características", afirma.

"A construção de uma nova arena em Santos é a maior estupidez", diz o advogado Rogério Corrêa de Lara. "O problema de público se deve ao baixo poder aquisitivo da região. Tanto é assim que nos jogos realizados na capital a média é bem maior", diz. "Construir um novo estádio a 500 metros do atual não trará novos torcedores. A Vila quase nunca enche. Com essa nova arena o Santos terá o custo da Vila e uma participação menor na renda, porque quem a construir precisa recuperar o investimento. Com os grandes jogos realizados nesta arena, o Santos mandaria na Vila, somente em jogos com clubes pequenos ou de pouco interesse, obtendo menor renda", reclama o torcedor.

Para o comerciante Márcio Ferraz dos Santos, a construção da nova arena é um erro. "Hoje, o Santos dificilmente coloca mais do que 15 mil torcedores no estádio. Claro que a nova arena poderia criar novos empregos, novos investimentos, mas acredito que uma grande reforma na Vila Belmiro seria mais viável. Uma grande modernização, com capacidade para shows", diz.

 

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Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 07h00

O futuro da Vila Belmiro está garantido, afirma Modesto Roma Júnior, presidente do Santos. “A Vila continua sendo um estádio com tradição, para ser usado principalmente em pequenos espetáculos. Vai sofrer uma reformulação, uma modernização, e será explorada como uma parte fundamental da história do Santos, além de abrigar jogos menores’’, diz.

As reformas na Vila Belmiro devem começar assim que a nova arena do clube estiver concluída, o que está previsto para setembro de 2019. Desde sua inauguração, em 12 de outubro de 1916, o Estádio Urbano Caldeira passou por muitas obras e está modernizado “na medida do possível, mas ainda é um estádio de 100 anos’’, pondera o presidente. A manutenção da Vila Belmiro custa ao clube entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por mês. Aproximadamente 30% desse total são gastos no gramado. “É o que temos de mais moderno, mais atualizado na Vila.’’

Um estudo de viabilidade feito pela Fernandes Arquitetos Associados prevê a urbanização do entorno do estádio (com unificação do piso) e a instalação de uma área comercial na parte externa, perto da entrada principal. Entre as possíveis atividades propostas para o interior estão a construção de um lounge com bar ou restaurante, além de perímetros para exploração comercial e promocional, bem como uma área para locação e até a realização de feiras e eventos em parte do gramado.

Uma dívida de R$ 2,1 milhões do Santos com Pelé causou a penhora oficial da Vila em maio. A execução tramita na 16.ª Vara Cível de São Paulo. A Sport 10 Licenciamento, empresa que gerencia a imagem de Pelé, chegou a pedir à Justiça a substituição da penhora por dinheiro a ser recebido do canal Esporte Interativo pela assinatura do contrato de transmissão de jogos do Brasileiro entre 2019 e 2024. “Existe uma penhora, mas trata-se apenas de um bem dado como garantia em um processo. É uma bobagem’’, afirma Modesto Roma.

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Luiz Alexandre Souza Ventura, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 07h00

Um palco de espetáculos, conquistas, alegrias e tristezas, sofrimento e emoção. A Vila Belmiro, casa do Santos Futebol Clube há um século, é símbolo máximo da história do time, local que fortalece a equipe em partidas importantes e, por inúmeras vezes, levou seus meninos à glória.

Em 1916, o Santos treinava em um campo no bairro do Macuco, mas o espaço não tinha dimensões oficiais mínimas. As partidas eram disputadas em um terreno dividido por várias equipes, no número 22 da Avenida Dona Ana Costa, onde hoje se encontra a Paróquia Imaculado Coração de Maria. E também no campo da Liga Santista de Futebol Amador, que ficava na altura do número 300 da Avenida Conselheiro Nébias, hoje ocupado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanisno (FAUS) da Universidade Católica de Santos (Unisantos).

Foi nessa época que a diretoria começou a procurar por um espaço próprio para o clube. Até que, em 31 de maio de 1916, foi aprovada por uma assembléia geral a compra de uma área de 16.500 metros quadrados no bairro da Vila Belmiro. Neste mesmo ano, no dia 12 de outubro, o Santos inaugurava naquele terreno uma praça de esportes. 

Dez dias depois, o Peixe enfrentou o Ypiranga pelo Campeonato Paulista. E venceu a partida inaugural por 2 a 1, com o primeiro gol da história do time na Vila marcado por Adolpho Millon Júnior.

No dia 6 de abril de 1933, um amistoso contra o 1º de Maio, que o Santos venceu também por 2 a 1, marcou o batismo da Vila com o nome de Estádio Urbano Caldeira, em homenagem a um dos maiores benfeitores do clube, personagem que havia falecido no dia 13 de março do mesmo ano.

Em um século de história, a Vila Belmiro recebeu 2.207 partidas do Santos, que venceu 1.413 delas, empatou 434 vezes e perdeu 'apenas' 360 disputas, totalizando 5.591 gols marcados pelo Peixe.

Hoje, após muitas reformas e modernizações, a Vila tem capacidade oficial para 16.068 torcedores, mas o maior público de sua história foi registrado em 15 de fevereiro de 1976, quando 31.662 pessoas lotaram o estádio para assistir o Santos perder de 5 a 0 do Palmeiras.

Muitos outros nomes do futebol mundial, ícones desse esporte, ídolos de gerações, passaram pela Vila Belmiro e, naquele gramado, tornaram-se estrelas. Pepe, Tite, Zito, Coutinho, Dorval, Mauro Ramos de Oliveira, Lima, Manga, Hélvio, Dalmo, Laércio, Calvet, Mengálvio, Abel, Aguinaldo, Ailton Lira, Alex, Álvaro, Antoninho, Araken Patusca, Ary Patusca, Barbosinha, Carlos Alberto, Cejas, Chico Formiga, Cláudio, Clodoaldo, Coutinho, Cyro, Deivid, Del Vecchio, Diego, Douglas, Edinho, Edu, Emersom Marçal, Fábio Costa, Feitiço, Flávio, Gilmar, Giovanni, Guga, Jair da Rosa Pinto, João Paulo, Joel Camargo, Juary, Laércio, Lalá, Léo, Lima, Manoel Maria, Marinho Peres, Marolla, Mauro, Narciso, Negreiros, Nenê Belarmino, Neymar Jr., Oberdan, Pagão, Paulinho McLaren, Pita, Ramiro, Ramos Delgado, Robert, Robinho, Rodolfo Rodrigues, Serginho Chulapa, Sérgio, Toninho Guerreiro, Vasconcelos e Vítor. 

O maior artilheiro do Santos na Vila não poderia ser outro. Pelé lidera a lista, com 288 gols.

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