Reprodução/Instagram
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No dia da Consciência Negra, torcedores do Atlético-MG são vítimas de racismo no Mineirão

Os irmãos Carlos Miguel de Almeida e Carlos Eduardo relataram ter sido chamados de ‘macacos’ dentro das dependências do estádio: ‘O alvo continua no nosso peito!’

Redação, Estadão Conteúdo

21 de novembro de 2021 | 12h27

No dia da Consciência Negra, os irmãos Carlos Miguel de Almeida e Carlos Eduardo de Almeida foram alvos de xingamentos racistas durante a vitória do Atlético-MG por 2 a 0 sobre o Juventude, no Mineirão. De acordo com o relato dos jovens, que têm 25 e 22 anos, eles foram chamados de “macacos” por um torcedor dentro das dependências do estádio. Os episódios foram relatados por meio de boletins de ocorrência e a polícia do Mineirão, junto com outras autoridades, estão acompanhando o caso.

Em postagem nas redes sociais, Carlos Miguel, o irmão mais velho, explicou o ocorrido e lamentou o fato de, no Dia da Consciência Negra, data celebrada por muitas pessoas, ele estava sentado em uma delegacia junto com o seu irmão para fazer um boletim de ocorrência em virtude de um caso de racismo ao qual foram vítimas.

“20 de novembro onde muitos celebram, estávamos sentados em uma delegacia fazendo boletim de ocorrência e pensando em quantos livros eu já li, quantas vezes me preparei para o combate, quantas vezes nós já passamos por essa situação na vida, nós dois eu e meu irmão. E quando um homem nos chamou de macaco eu só queria o colo da minha mãe, pensando em proteger meu irmão sem saber o que fazer aos prantos chorando”, escreveu Carlos Miguel. 

“A vitória do Galo já não fazia mais sentido o mundo não fazia mais sentido e sentimos que apesar da vitória, ali havíamos perdido. Mais um dia da consciência negra e o alvo continua no nosso peito!”, completou o torcedor do Atlético-MG que, junto com texto, publicou uma foto ao lado do irmão em aparecem ambos com os punhos cerrados para cima.

À polícia, Carlos Miguel e Carlos relataram que o agressor era conhecido de um amigo dos irmãos. Ele contaram que após uma discussão, o suspeito, de 43 anos, se dirigiu para as vítimas e disse: “Estão olhando o quê, macaco? Bando de macacos". O homem  desapareceu no meio da torcida depois dos xingamentos e, até às 8h deste domingo, não havia sido localizado pela polícia, que já solicitou as imagens de segurança do estádio para localizar e identificar os suspeitos.

Na última semana, o Senado aprovou um projeto que pretende enquadrar a injúria racial como crime de racismo que, atualmente, são tratados de formas diferentes na lei.  Por ter duas tipificações, corre-se o risco de acusados serem responsabilizados com sanções mais leves ou até se livrarem da prisão. O projeto, que se adequada a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), precisa ainda passar pela Câmara e ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro para entrar em vigor.

Assédio Sexual

Os casos de injúria racial relatados não foram as únicas agressões registradas no Mineirão, no último sábado. Na mesma partida, uma funcionária do estádio registrou um boletim de ocorrência para denunciar um homem que tentou agarrá-la e beijá-la à força, e uma torcedora afirmou que uma pessoa a tocou em suas partes íntimas e que, em seguida, acabou se misturando com a torcida e não foi possível localizá-la.

 

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