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Raphael Ramos e Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 07h00

Desde a Copa de 1994 os Estados Unidos começaram a ser apontados como o país do futuro do futebol. Pois o futuro chegou. A 20ª edição da MLS (Major League Soccer), que começa hoje, será a maior da história da competição. Os números e contratações impressionam e passaram a chamar a atenção do restante do mundo.

Contratado ano passado pelo Orlando City, Kaká será o primeiro atleta eleito melhor do mundo pela Fifa que disputará a MLS. Depois de passar seis meses emprestado ao São Paulo, a chegada do craque ao Orlando City tem mexido com a Flórida.

Os 60 mil ingressos para a estreia do brasileiro, domingo, contra o New York City, já estão esgotados, fruto de uma ampla campanha publicitária feita pelo Orlando City para lotar o estádio Citrus Bowl. Centenas de outdoors foram espalhados pela Flórida com fotos de Kaká com cara de mau e frases como “Durante 90 minutos você vai ter medo de piscar”.

Quando deixou o Milan no ano passado, Kaká passou a ser o jogador mais bem pago na história da liga americana, com US$ 7,1 milhões (R$ 21,2 milhões) por temporada. Em janeiro, no entanto, o brasileiro foi superado pelo italiano Giovinco, que trocou a Juventus pelo Toronto FC. De acordo com o jornal La Gazzetta dello Sport, o atacante receberá € 6 milhões (R$ 19,8 milhões), mais € 2,5 milhões (R$ 8,2 milhões) em bônus e direitos de imagem, totalizando R$ 28 milhões.

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Orlando City e New York City são os dois novos clubes da MLS. Se o Orlando aposta todas as suas fichas em Kaká, o New York confia no atacante David Villa, campeão mundial em 2010 e maior artilheiro da história da seleção espanhola.

Com a saída do Chivas, a MLS passou a ter 20 clubes (17 dos Estados Unidos e três do Canadá) e mudou a divisão das conferências. Houston Dynamo e Kansas City foram para a Oeste por causa da inclusão de Orlando City e New York City na Leste. Cada conferência tem dez equipes, e as cinco melhores vão para os playoffs.

Para 2017, já estão certas a entrada de mais duas franquias, uma de Atlanta e outra de Los Angeles, cujo acionista é o ex-jogador de basquete Magic Johnson. A previsão é que em 2030 a MLS tenha 30 times. Cada nova franquia custa US$ 100 milhões.

Reflexo do momento histórico da MLS está nos contratos de televisão. Pelo novo acordo com ESPN, Fox Sports e Univision Deportes, a liga receberá US$ 90 milhões (R$ 270 milhões) por ano durante oito temporadas. O contrato anterior era de US$ 30 milhões (R$ 90 milhões). Outro acordo bastante comemorado pelos executivos da MLS foi a venda dos direitos de transmissão para a Sky Sports, que pela primeira vez vai para exibir os jogos do campeonato no Reino Unido.

O futebol passou a “bombar” na TV americana durante a Copa de 2014. Segundo dados da Fifa, a média de audiência dos jogos da seleção norte-americana superou a das finais da NBA e da World Series, as finais do beisebol de 2014. O jogo Portugal x EUA, por exemplo, foi assistido por 25 milhões de pessoas, enquanto que a média dos seis jogos da final do beisebol foi de 15 milhões.

O aumento do apelo popular pelo futebol nos Estados Unidos fez também a MLS rever contratos de patrocínio. A cervejaria Budweiser, parceira da liga desde 1996, foi trocada pela Heineken. Segundo o Wall Street Journal, a Heineken pagará por ano US$ 3 milhões de patrocínio, o triplo do que desembolsava a Budweiser, e mais US$ 7 milhões em “mídia e compromissos de marketing”.

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Raphael Ramos e Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 07h03

Um confronto entre os ex-galácticos Ronaldo e Raúl. É isso que promete a North American Soccer League (NASL) para fazer frente à MLS (Major League Soccer) e se reerguer depois de um hiato de 27 anos, que terminou em 2011.

Considerada a segunda maior liga de futebol dos Estados Unidos, a NASL conta com apenas 11 equipes, dentre elas o New York Cosmos, que contratou o ídolo espanhol do Real Madrid, e o Fort Lauderdale Strikers, franquia com sede na Flórida adquirida pelo Fenômeno, que já declarou que pode abandonar a aposentadoria para jogar a fase final da competição.

Atuando desde 2013 no Cosmos, o volante Marcos Senna, ex-Corinthians, explica que a liga vive um processo constante de crescimento. "O nível está melhorando a cada ano. A NASL contrata mais medalhões, mas quando enfrentamos equipes da MLS costumam dar bons jogos", conta o brasileiro naturalizado espanhol, vencedor da Eurocopa de 2008.

Campeão da NASL logo em sua primeira temporada, o meio-campista comemora reviver parceria com Raúl. "A chegada dele está sendo positivo em todos os aspectos. Em menos de um mês ele está acrescentando qualidade dentro de campo e fez com que a torcida e a imprensa passassem a acompanhar mais o Cosmos."

Lançada em 1968, a NASL teve campeonatos regulares até 1984. Nesse período, os torneios organizados pela liga tiveram grande popularidade nos Estados Unidos, principalmente após a chegada de Pelé ao time de Nova York, em 1975. Mas a aposentadoria do Rei do Futebol e a baixa audiência dos jogos nas transmissões televisivas forçaram seu fim.

O término da liga também marcou a extinção do Cosmos, que retornou aos jogos oficiais em 2013. "A ideia do clube quando voltou era entrar na MLS de cara, mas ao mesmo tempo existia a ideia de ter os pés no chão e ir crescendo. Também houve uma divergência nos bastidores, sobre as taxas que o clube teria de pegar e em relação ao acordo televisivo, que beneficiava mais a Liga e menos as equipes", conta o ex-jogador do Corinthians e do Villarreal.

Apesar do futebol ser uma grande atração nos Estados Unidos, Marcos Senna garante que o clima dentro e fora de campo em pouco lembra a pressão vivida no auge de sua carreira nos grandes torneios da Europa. "O pessoal vai ao campo para se divertir. Isso também acaba dando mais tranquilidade para os jogadores, sem deixar de lado o profissionalismo, é claro."

A NASL estreia apenas em abril e terá como novidades os brasileiros Ibson, que fechou com o Minessota Kickers, e Léo Moura, reforço do Fort Lauderdale Strikers.

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Raphael Ramos e Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 07h02

Prestes a completar 32 anos (faz aniversário em 16 de abril), o zagueiro Adaílton inicia nesta sexta-feira a sua aventura na MLS (Major League Soccer). Campeão mundial Sub-20 em 2003 e com passagens por Vitória, Santos e Bahia, o jogador está no Chicago Fire e enfrentará o Los Angeles Galaxy na partida de abertura do campeonato. Veterano, Adaílton mostra empolgação de garoto com o MLS nesta entrevista ao Estado.

Como foi a decisão de jogar a MLS?

A primeira negociação começou em 2012, com o Colorado Rapids. Depois, em 2014, apareceu a oportunidade de jogar no Portland Timbers. Mas preferi ir para o Bahia porque Salvador é a minha cidade natal, a minha esposa estava grávida e queria ter o nosso filho lá. No final do ano passado, eu ainda tinha seis meses de contrato com o Bahia, mas veio a chance de jogar no Chicago eu não pensei duas vezes. Todo mundo quer vir para cá. É uma liga que está passando por uma grande mudança e eu gostaria de viver essa aventura.

Qual é a sua expectativa para o campeonato?

Já joguei na China, onde o futebol também está evoluindo, mas posso dizer que aqui será diferente porque o pessoal está muito à frente dos chineses. Minha expectativa é que será um campeonato tecnicamente mediano, mas o físico deve fazer a diferença.

Como você vê a ida do Kaká para o Orlando City?

A vinda dele beneficiou não só o Orlando City, mas a toda a liga. Com o Kaká aqui, já foram assinados contratos televisivos que beneficiaram todos os jogadores. O Kaká influenciou diretamente na parte financeira, na abertura de mercado e na valorização dos atletas.

Os Estados Unidos poderão se transformar em uma potência mundial no futebol?

Os Estados Unidos são um país que quando se predispõe a fazer uma coisa bem feita, faz. O projeto inicial de 20 anos de desenvolvimento no futebol aqui se encerrou e agora começa um novo ciclo. Pela estrutura, capacidade financeira e cultura do norte-americano de ser sempre um vencedor, o futebol vai ficar cada vez mais forte aqui.

Quais são seus planos para o futuro?

Tenho dois anos de contrato com o Chicago Fire, mas quero jogar quatro temporadas na MLS. Depois, quando me aposentar, pretendo continuar aqui nos Estados Unidos para, quem sabe, abrir uma escolinha de futebol e criar a minha família aqui.

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Raphael Ramos e Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 07h01

Depois de correr o risco de ter o seu início cancelado sob a ameaça de greve do Sindicato dos Jogadores, a temporada de futebol na MLS teve sua estreia confirmada para esta sexta-feira. Membros da Liga e da União dos Jogadores chegaram a um acordo trabalhista coletivo (CBA, sigla em inglês) com duração de cinco temporadas na madrugada da última quinta-feira.

"Nós agora iniciaremos a nossa 20ª temporada com enorme apelo positivo, com nossos novos acordos de televisão, jogadores que são estrelas globais e dois novos times em Nova York e Orlando que vão estrear para uma multidão de mais de 60 mil pessoas no domingo, no estádio Citrus Bowl. Esse acordo servirá de plataforma para nossos jogadores, proprietários e direção trabalharem juntos para tornar a Major League Soccer uma das maiores ligas de futebol do mundo", comemorou o comissário da MLS, Don Garber.

Entre as principais mudanças acertadas está o aumento do salário mínimo dos atletas, que passou de US$ 35,5 mil para US$ 60 mil por ano, e a criação de uma espécie de agência livre para jogadores com mais de 28 anos e oito temporadas disputadas na MLS. Atletas que atinjam esses requisitos podem escolher em quais equipe querem jogar. Até o último acordo, que expirou em 31 de janeiro, os atletas que ficavam sem nenhum vínculo estavam disponíveis para serem recrutados por qualquer equipe. Ou seja, o jogador não tinha opção de escolher por qual time iria jogar.

Outra reivindicação do sindicato atendida foi o aumento do teto salarial das equipes para US$ 4,2 milhões. Assim como ocorre em todas as grandes ligas esportivas dos Estados Unidos, os clubes têm um limite salarial para formar seus elencos. Antes esse valor era de US$ 3,1 milhões. Para criar um mercado atrativo para estrelas internacionais, três atletas podem receber sem ter seus vencimentos inclusos nesse teto. A lei foi um artifício criado para permitir que o Los Angeles Galaxy contratasse o inglês David Beckham, e hoje possibilita o pagamento de valores astronômicos para jogadores como Kaká e Giovinco.

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