No encontro entre Costa Rica e Grécia, só uma zebra vai continuar viva

Surpresas brigam por um lugar nas quartas no Recife, às 17 horas

Daniel Batista - Enviado especial ao Recife, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 22h00

Antes de começar a Copa, pensar que Costa Rica e Grécia fariam umas das oitavas de final do Mundial soaria como piada. A expectativa era ver a Itália ou a Inglaterra no lugar dos costa-riquenhos e Colômbia ou Costa do Marfim na vaga dos gregos. Mas as duas maiores surpresas da Copa derrubaram todos os prognósticos e jogam neste domingo a classificação para as quartas de final, às 17h, na Arena Pernambuco.

O motivo da descrença em ambos é simples. A Costa Rica era o "patinho feio" em um grupo onde tinha os poderosos Uruguai, Itália e Inglaterra. Já os gregos apostam tanto na defesa, que faz com que muita gente torça o nariz para o seu estilo de jogo. Para se manterem vivo na Copa, os dois times adotam discursos bem distintos.

A Costa Rica mantém a política de pés no chão, mas por enfrentar a Grécia, sem dúvida o adversário com menos tradição que eles tiveram pelo caminho até agora neste Mundial, faz alguns jogadores não disfarçarem o contentamento. “De todos, creio que a Grécia era quem a gente preferia enfrentar”, admitiu o atacante Cristian Bolaños. Joel Campbell lembra que sua equipe já passou por adversários bem mais complicados e teve sucesso. “Jogamos contra a Itália, o Uruguai e a Inglaterra. Seja lá contra quem a gente jogar, vamos enfrentar com a mesma humildade e tentar ganhar sempre”, afirmou o atacante, que até a última temporada, atuava no Olympiakos, da Grécia, e conhece bastante muito dos atletas que estarão em campo neste domingo. 


 

 

A retranca grega parece incomodar muita gente, principalmente aqueles que gostam de times ofensivos, mas o técnico Fernando Santos fica irritado quando falam que seu time é muito defensivo. “Acho que as pessoas querem que a gente toque uma música erudita, mas não temos Beethoven, nem Bach. Temos que tocar bumbo. Temos jogadores com vontade”, comparou o treinador português. Em três jogos, a Grécia marcou apenas dois gols. 

Apesar de pela primeira vez na Copa entrar em campo como favorita, a Costa Rica está precavida e desde quinta-feira tem treinado cobranças de pênaltis. “Não pretendemos chegar lá, mas se for necessário, temos de estar prontos, disse o meia Celso Borges, principal cobrador de penalidades da equipe. As duas seleções nunca conseguiram chegar às quartas de um Mundial, por isso, o jogo está sendo tratado como o mais importante da história para os dois lados.

“Eu não durmo direito antes de grandes jogos e este é especial. Experimento fortes emoções. Temos grandes seleções fora e a Grécia continua. Se depender de nossa força, vamos continuar por muito mais tempo e dar orgulho para o nosso povo”, disse o meia Giorgos Karagounis, que atua no Fulham, da Inglaterra. 

Para chegar a tão sonhada classificação, as duas seleções não devem fazer grandes mudanças nas equipes, tampouco no estilo de jogo. A Costa Rica aposta tudo no rápido toque de bola e nas jogadas individuais de Joel Campbell e Bryan Ruiz, autor do gol da vitória sobre a Itália por 1 a 0. Na defesa, Giancarlo González comanda a defesa e seu bom desempenho já faz com que grandes clubes da Europa se interessem por seu futebol. 

Já a Grécia aposta tudo na bola aérea, pois possui um time muito alto, ao contrário do adversário. Embora seja um time que aposta na defesa, a equipe já sofreu quatro gols na competição. Na frente, a esperança está nos pés de Samara enquanto a defesa conta com Manolas como organizador do setor. 

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