Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
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No entorno do Maracanã, pouca gente e ambulantes decepcionados na volta da torcida

Partida entre Flamengo e Grêmio, pela Copa do Brasil, marca o retorno do público no Rio em jogos de clubes. Cerca de 6.500 pessoas acompanharam a vitória do time carioca por 2 a 0; expectativa era de mais torcedor

Fábio Grellet/RIO, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 22h45

Em mais um capítulo da briga entre o Flamengo e outros clubes da Série A do Brasileirão pela presença de público ou não nos estádios brasileiros, o rubro-negro voltou a jogar com torcida no Maracanã nesta quarta-feira, contra o Grêmio, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil. Em campo, o time carioca, que havia vencido o jogo em Porto Alegre por 4 a 0, se garantiu nas semifinal ao ganhar novamente por 2 a 0, com gols de Pedro. O adversário na próxima fase será o Athletico-PR

O movimento de torcedores foi tranquilo no entorno do Maracanã, no primeiro jogo de futebol com público no estádio desde março de 2020. O Flamengo tinha uma liminar para abrir os portões do estádio. Foram colocados à venda 24.533 ingressos, por preços entre R$ 100 e R$ 900. O público total ficou em 6.446 torcedores, com 6.277 bilhetes comercializados, para uma renda de R$ 794.005,00. A presença da torcida esteve abaixo do esperado. Até as 11h de quarta-feira haviam sido vendidos 4.857 ingressos vendidos.

Para entrar no Maracanã também era preciso comprovar já ter tomado a vacina contra o coronavírus e apresentar um teste de covid-19 com resultado negativo, feito em laboratório credenciado e no prazo máximo de 48 horas antes do jogo, pelo qual se pagava pelo menos R$ 80. Havia mais de 1700 pessoas trabalhando na partida para orientar o torcedor.

Uma aglomeração de torcedores só ocorreu entre 20h45 e 21h15, quando a maioria do público chegou ao local da partida. O jogo estava previsto para começar 21h30. Muita gente estava sem máscara, seja porque bebia cerveja ou para entoar com mais potência gritos de guerra em favor do Flamengo. Como era proibido passar pelas barreiras montadas antes dos portões de acesso levando garrafas ou latas de cerveja, muitos torcedores ficaram por alguns minutos nesses pontos e em bares nas imediações do Maracanã.

Os poucos ambulantes que foram ao entorno do estádio se decepcionaram com o mocimento. Em vez de cerveja, Norberto Lima, de 43 anos, vendia máscaras por R$ 5. "Mas não teve saída não, todo mundo trouxe a sua", lamentou.

A partir das 21h15, faltando apenas 15 minutos para o início da partida, o movimento no entorno do estádio praticamente desapareceu. Restaram apenas alguns poucos torcedores que foram até a vizinhança do Maracanã só para ver a festa da torcida, a maioria moradores na região. "Vamos ver o jogo pela TV, num bar pertinho, então passamos por aqui para trazer boas vibrações. Dá-lhe Mengo!", explicou, animada, a estudante Mariana Meira, de 19 anos, que vestia uma camisa com o nome do ídolo Zico.

O secretário de saúde do município, Daniel Soranz, publicou elogios da organização do jogo nas redes sociais. "Flamengo no Maracanã mostrando que com organização é possível fazer um evento seguro, na operação são mais de 1.700 trabalhadores para orientar sobre as medidas de proteção à vida. Vale lembrar que acompanharemos por 14 dias todos os torcedores e funcionários", disse o secretário.

Dentro do estádio, houve aglomeração em alguns pontos específicos, como no setor norte. Alguns profissionais do próprio Maracanã ajudaram na organização das pessoas durante a partida. O Flamengo tem mais partidas para testar a presença de torcedores no Maracanã, uma delas pela Libertadores, contra o Barcelona de Guayaquil. Os telões do Maracanã também ajudaram a organizar os torcedores, passando mensagens de procedimentos e dos protocolos sanitários. Mesmo assim, imagens flagraram muitos torcedores sem máscara e também sem respeitar o isolamento social. O Brasil tem 35% de sua população vacinada com as duas doses das vacinas contra a covid-19.

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