Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

No estádio, a torcida brasileira aplaude. Do lado de fora, só reclamação

Nos jogos, a equipe de Felipão recebe apoio do povo. Nos treinos e hotéis, a relação entre jogadores e fãs é muito conturbada

ALMIR LEITE, SÍLVIO BARSETTI E ROBSON MORELLI - Enviados especiais, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2013 | 08h05

BELO HORIZONTE - O futebol apresentado pela seleção até agora na Copa das Confederações proporcionou uma relação de empatia entre a seleção e os torcedores nos estádios. A resposta das arquibancadas tem sido até surpreendente para os atletas e Felipão. Eles esperam que isso se repita contra o Uruguai. Porém, isso não ocorreu nas proximidades dos hotéis e dos locais de treinamento, desde que o grupo se apresentou em Goiânia em 3 de junho.

 

Na capital de Goiás, em Brasília, Fortaleza, Salvador e agora em Belo Horizonte, o time e a comissão técnica têm sido hostilizados por torcedores que não podem ver os treinos e por aqueles que não conseguem se aproximar dos atletas nos hotéis da seleção. A situação é a mesma no hotel que recebe agora o grupo.

 

Expressões como "vergonha, time sem vergonha" e até mesmo exaltação às seleções adversárias, em coro, já foram ouvidas por todos. Na antevéspera do jogo com a Itália, em Salvador, após o treino em Pituaçu, quando o ônibus que conduzia o time deixou o local, torcedores brasileiros que não tiveram acesso ao treino gritaram "Itália, Itália!" A Fifa determinou que os treinos durante a competição não devem ser abertos ao público.

 

Muita gente, no entanto, sem saber da informação, vai até o local das atividades da seleção e dali não passa, o que gera um ambiente de frustração e, às vezes, de revolta.

 

Há uma semana e meia, antes do jogo com o México, quando a seleção treinou no Estádio Presidente Vargas, num bairro residencial de Fortaleza, a CBF afirmou que mandou abrir os portões para mostrar que a seleção estava nos braços do povo. Do lado de fora do estádio, estavam 5 mil pessoas e mais de uma centena de policiais.

 

Depois de dias de insistência, o Estado conversou com o responsável pelas Relações Públicas da PM do Ceará, tenente-coronel Albano. Ele confirmou que a comissão técnica da seleção queria que os portões fossem abertos e que a PM também defendia essa medida. Assim, chegaram a um consenso. Mas por outro motivo. "Era um plano de evacuação", contou o coronel.

 

Ou seja, não havia como o ônibus da seleção sair do local com aquela multidão do lado de fora sem haver um confronto. "Aquilo ia virar uma praça de guerra", prosseguiu o coronel da PM. Naquela situação, o coordenador Carlos Alberto Parreira pediu que quebrassem um cadeado de um dos acessos e foi atendido. O público entrou no estádio, mas o treino já tinha acabado. A comissão técnica determinou então que os jogadores permanecessem mais um pouco para acolher a torcida.

 

A CBF disse que a Fifa advertiu a seleção por escrito, pois não a comissão técnica deveria ter permitido a entrada do público no treino.

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