No fim, foi Bellini quem achou a CBF

Como a CBF mostrou-se incompetente para encontrá-lo, Hideraldo Luís Bellini, o capitão da conquista do Mundial de 58, deu o passo e fez contato com a entidade. A iniciativa, na verdade, foi tomada por Giselda, mulher de Bellini. Ela é professora de português no Colégio Sion, em São Paulo, e foi avisada por seus alunos que a CBF estava procurando por seu marido. "Eles me mostraram uma matéria do Jornal da Tarde que levantava o assunto. Depois disso, vi na internet e na televisão. Então, procuramos a CBF", diz Giselda.Foi acertada, então, a presença de Bellini na entrega do Prêmio Príncipe de Astúrias, dia 25 de outubro, em Oviedo, na Espanha. Ele estará ao lado de Carlos Alberto Torres, capitão da Copa de 70; Dunga, capitão de 98; e Cafu, capitão de 2002. Mauro Ramos de Oliveira, capitão da conquista de 1962, morreu em setembro e será representado por Zagallo.O Prêmio Príncipe de Astúrias é entregue ao grande destaque futebolístico do ano. A campanha no Mundial de 2002 foi responsável pela conquista do Brasil, apesar dos protestos do Real Madrid, que ambicionava o prêmio desde que conquistou a Liga dos Campeões.Na tarde desta sexta-feira, Giselda esperava por um telefonema de Américo Faria, supervisor da CBF, para tratar dos detalhes da viagem. "O Bellini foi cortar o cabelo para a viagem. Estamos providenciando tudo para o embarque. Precisamos fazer um acerto no passaporte", diz Giselda.Ela fala pelo marido, que decidiu não dar mais entrevistas. "Bellini está com 72 anos e chegou à conclusão que não deve falar mais nada a jornalistas. Ele considera que o tempo dele passou e que o futebol de hoje mudou muito", desculpou-se Giselda.A última entrevista foi dada em setembro, no enterro de Mauro Ramos de Oliveira. "Fomos até Poços de Caldas nos despedir do Mauro, que era como um irmão para o Bellini. Ele aceitou dar uma entrevista para as televisões regionais como forma de homenagear o Mauro".Entrevistas, não, mas eventos, sim. "Em dezembro do ano passado, estivemos no lançamento do livro do jornalista Orlando Duarte, que foi feito em uma viagem de dez dias de navio. Ele participou também de uma mesa-redonda na Faap e esteve em uma festa de uma empresa multinacional, ao lado do Djalma Santos e do Nílton Santos. O Bellini fez um discurso em nome dos companheiros. No mês passado, fomos para Nova York, com o Carlos Alberto Torres", completa.Hélio Nicolai é cunhado de Bellini, casado com sua irmã, Diva, e ainda reside em Itapira. Ele diz que Bellini não quer falar em virtude de uma funda depressão. "Fez tratamento médico e agora está melhor", conta Hélio.Giselda discorda. "É um engano, o Bellini nunca esteve tão bem. Está feliz e alegre. Sempre visitamos o Gilmar (ex-goleiro da seleção, que sofreu um acidente vascular cerebral) e temos uma boa vida social. Como eu te disse, ele não quer falar apenas porque se cansou de assédio e quer descansar um pouco. Mas, do fundo do coração, te garanto que esse menino lindo aqui nunca teve um único minuto de depressão. Somos muito felizes."Bellini começou a jogar futebol na Esportiva Sanjoanense e fez sucesso atuando no Vasco e no São Paulo. Terminou a carreira em 1969 no Atlético Paranaense.

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