JF Diorio
JF Diorio

'No futebol, você tem de estar sempre preparado para a oportunidade'

Titular da seleção brasileira sub-20 é uma das revelações do São Paulo para o setor defensivo

Entrevista com

Walce - zagueiro do São Paulo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2019 | 04h30

Walce Costa é considerado o melhor defensor revelado pelas categorias de base do clube nos últimos anos. Campeão da Copa São Paulo de Juniores e titular da seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano sub-20, o mato-grossense de Cuiabá já despertou o interesse de clubes europeus sem ter atuado pelo time profissional. Em entrevista ao Estado, ele revela quais são suas inspirações, no Brasil e no exterior, e os segredos para ser um defensor que faz gols de falta. 

Por que o São Paulo forma tantos jogadores?

Existe um investimento grande na base do São Paulo. Os melhores profissionais estão no dia a dia para fazer com que os meninos melhorem e alcancem um bom nível com uma idade baixa. Isso faz com que o São Paulo revele bons jogadores. A prova disso são os meninos que estão jogando, como Antony, Toró, Liziero, Igor e outros que já passaram e estão fazendo sucesso.

Depois de revelar jogadores do meio para a frente, a base está mostrando novos zagueiros. Chegou a vez dos defensores?

Na minha visão, acho que sim. No futebol, você pode ir para o jogo da noite para o dia e fazer sua história. Você tem de estar preparado. Estou trabalhando no dia a dia para que, quando tiver minha oportunidade, eu esteja preparado para fazer o melhor. 

Quais os conselhos que os mais velhos dão para vocês?

Ter paciência. Esse é um momento de transição. Nós temos de entender o processo. Eles estão sempre ao nosso lado dando apoio, conselhos e exemplos do que eles já passaram. Mostram momentos que já tiveram na carreira e que agregam muito na nossa. 

Como encara o interesse de clubes europeus, mesmo jovem?

É bom saber que o trabalho está sendo reconhecido desde jovem. É uma satisfação. Sei que estou no caminho certo. 

Você é um zagueiro que costuma fazer muitos gols...

Eu procuro sempre ajudar minha equipe, seja defendendo ou, quando tenho oportunidade, procuro estar próximo da área, fazendo gols de cabeça ou até mesmo de falta, que gosto de treinar muito. É um diferencial que eu achei e tenho qualidade para isso. 

Não é comum que zagueiros batam falta. Como você começou a se interessar e a treinar as faltas?

Desde pequeno venho acompanhando grandes batedores de falta. Isso fez com que eu tivesse uma visão de que esse é ponto de perigo para o adversário. Percebi que tinha facilidade para bater na bola. Isso é trabalho também. A gente tem de evoluir. Treino todos os dias para poder estar bem nesse quesito. Assim que surgir uma oportunidade de bater uma falta, espero estar preparado para ajudar. 

Quem são seus ídolos? 

Um dos meus ídolos é o Puyol, um dos maiores zagueiros do Barcelona. Pela postura, pela história e pela liderança que ele tinha. Era um cara bem centrado no que fazia e sempre respeitoso com companheiros e adversários. Procuro aprender com os próprios jogadores do São Paulo, o Bruno Alves, Anderson Martins e o Arboleda. São as referências mais próximas. É uma satisfação trabalhar com eles. Faz com que eu entenda que o meu momento pode chegar, mas tenho de refletir que eles estão em um momento bom e tenho de aprender com isso. 

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