Geraldo Bubniak/FotoArena
Geraldo Bubniak/FotoArena

No improviso, Arena da Baixada passa em teste para a Copa do Mundo

Com 30 mil torcedores, estádio recebe partida com material de construção e tapumes em seu entorno

O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2014 | 21h49

CURITIBA - A Arena da Baixada passou nesta quarta-feira pelo seu último teste antes da Copa do Mundo com as obras ainda inacabadas. A vitória por 2 a 1 do Corinthians sobre o Atlético-PR foi realizada com muito material de construção no lado externo e várias improvisações do lado de dentro do estádio.

No Mundial, a Arena receberá quatro jogos: Irã x Nigéria, no dia 16 de junho, Honduras x Equador, no dia 20, Espanha x Austrália, no dia 23, e Argélia x Rússia, no dia 26. Apesar de a capacidade da Arena na Copa ser de 41.546 pessoas, o público foi de 30 mil torcedores – o restante das cadeiras ainda não foi colocado.

O primeiro evento-teste da Arena da Baixada foi realizado em março. No jogo entre Atlético e J Malucelli, o público foi de só dez mil pessoas, que ocuparam apenas a parte inferior das arquibancadas.

Nesta quarta-feira, operários trabalharam no entorno do estádio até o fim da tarde. O canteiro de obras da praça em frente à Arena foi fechado apenas às 17h30. Por causa das obras, a entrada das delegações foi improvisada com tapumes e grades, que dividiam espaço com caminhões e tratores e muito entulho. Os ônibus de Atlético e Corinthians receberam escolta de duas viaturas da Polícia Federal cada, seguindo o padrão da Fifa. Mesmo assim, torcedores ficaram a poucos metros dos ônibus, sem isolamento.

Grandes em muitos portões, as filas deram a volta no estádio e teve torcedor que entrou com a bola já rolando. A revista dos torcedores, que na Copa do Mundo será feita com equipamentos de raio X, foi feita de maneira manual. Mais de 600 funcionários do Comitê Organizador Local (COL), entre voluntários, stewards (seguranças particulares) e supervisores, trabalharam na Arena.

TRÂNSITO

Por causa da chuva, havia muita lama nos arredores do estádio. O trânsito piorou devido à chuva. A Avenida Getúlio Vargas, onde fica a entrada principal do estádio, ficou completamente parada por volta das 19h, meia hora antes do início do jogo. Com o estacionamento do estádio fechado, flanelinhas estavam cobrando R$ 30 para "guardar" os veículos.

Apesar de reprimida pela polícia, a atuação dos cambistas foi notada em áreas mais afastadas. Ingressos que foram dados como cortesia para os associados do Atlético eram vendidos a R$ 100 cada.

O espaço destinado à imprensa foi improvisado. Como as instalações das tribunas não estão prontas, o Atlético separou um pedaço da arquibancada para acomodar os jornalistas e colocou tomadas provisórias no local. À imprensa também foram destinados apenas banheiros químicos porque os fixos ainda não ficaram prontos.

As lanchonetes ofereceram poucas opções porque fogões, fornos e geladeiras serão colocados apenas quando a Fifa assumir a responsabilidade pela administração do estádio.

RISCO

A confirmação do amistoso só saiu na manhã desta quarta, quando a diretoria do Atlético entregou ao Ministério Público do Paraná o Laudo Técnico de Engenharia da Arena da Baixada. Por causa da falta dessa documentação, a partida corria o risco de não acontecer.

Segundo a assessoria da promotora de Justiça Fernanda da Silva Soares, da 1.ª Promotoria de Defesa do Consumidor de Curitiba, "o documento entregue é provisório, mas foi aceito pelo Ministério Público do Paraná diante do compromisso do Atlético de arcar com a responsabilidade pela segurança no evento-teste."

O laudo de engenharia apresentado anteriormente descumpria os requisitos estabelecidos pela Portaria 124/2009, alterada pela Portaria 238/2010, ambas do Ministério do Esporte. Entre os itens que precisavam ser esclarecidos estava o eventual "grau de criticidade" da Arena, dado fundamental para se estabelecer, por exemplo, restrição de público. Apesar da entrega da documentação, a Promotoria informou que para os jogos da Copa o clube deverá apresentar laudos atualizados.

O aumento do ritmo das obras, porém, resultou em uma multa de R$ 300 mil ao clube por descumprir diversos itens de garantias trabalhistas aos operários. Segundo o Ministério Público do Trabalho, o Atlético excedeu o limite de duas horas extras diárias.

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