No ostracismo, Romário não quer parar

Em tão pouco tempo, Romário, artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2001 e quase unanimidade no futebol nacional nos primeiros meses do ano, passou a ser um jogador descartável. Aos 36 anos, está sem time desde 30 de junho e vive em torno de pendências na Justiça Trabalhista com os clubes que mais o projetaram no Brasil: Vasco e Flamengo. Romário está bastante abatido. Nervoso, tem evitado até os amigos mais próximos e às vezes corre sozinho na Praia da Barra da Tijuca para manter-se em forma.Uma coisa porém é certa: Romário não vai parar agora de jogar futebol. Ele foi sondado pelo América, do México, e por um clube da China. Mas quer permanecer no Brasil. De preferência, no Rio, mas não descarta jogar em São Paulo.O Corinthians e o Palmeiras já demonstraram interesse no jogador, mas as negociações não avançaram. Neste sábado, na coluna de Ricardo Boechat, no Jornal do Brasil, foi publicada a notícia de que o atleta havia acertado sua transferência para o Palmeiras, mas tanto a assessoria do jogador quanto a do clube negam a informação. "Conversei com ele (Romário) ontem à noite e ele nem sequer citou qualquer acerto", afirmou o assessor do jogador, Fernando Santana. "Não tem nada, zero, é pura especulação", garantiu o assessor do clube, Márcio Trevisan.No tumultuado namoro com o Flamengo, time para o qual ele já demontrou interesse em voltar a jogar, uma parcela considerável de associados influentes do clube rejeita o craque. Em parte, motivados pela rivalidade entre o Rubro-Negro e o Vasco, último clube do atleta.Mas o que intriga mesmo seus opositores no Flamengo é a forma como lida com a quantia que o clube lhe deve, em torno de R$ 15 milhões. Cobra na Justiça o pagamento da dívida e não está disposto a acordos. Até porque ouve há vários anos promessas de dirigentes do clube, que manifestam interesse em resolver o problema, mas não conseguem concretizar nada.No Vasco, após seguidas desavenças com um grupo de torcedores e declarações simpáticas ao Flamengo, perdeu todo espaço. O presidente do clube, Eurico Miranda, não repete publicamente sua opinião sobre o comportamento de Romário nas últimas semanas de Vasco. Entre amigos, é implacável e bem ofensivo.O artilheiro faz-se de desentendido e não responde. Romário também não expõe sua irritação com os R$ 5 milhões que tem a receber do Vasco. Nutre assim esperanças de poder acertar novamente com o clube. Outra hipótese bastante improvável.Enquanto isso, submete-se a exercícios de esteira, bicicleta e em aparelhos apropriados para reforçar a musculatura. Conta com a assistência do preparador físico Armando Marcial e do fisioterapeuta Fábio Marcelo. Romário tem-se esquivado de entrevistas nos últimos dias. Participa em média de duas "peladas" por semana, na casa de amigos, e não fala de um assunto específico: Copa do Mundo.Desde a conquista do pentacampeonato, não se envolve em discussões sobre a seleção brasileira. Romário recusou durante o Mundial mais de dez convites para ser comentarista do evento: de emissoras de rádio, de TV, de sites e de jornais. Só aceitou trabalhar para a Rádio Jovem Pan. Como viajou para a Holanda e Espanha, perdia apenas alguns minutos por telefone após cada jogo para fazer sua análise.As vitórias do Brasil e o esquecimento gradativo do público deixaram-lhe à margem. Apesar da decisão de continuar jogando, Romário começa a pensar em ocupar o tempo ocioso com outras atividades: deve voltar a cursar faculdade de Moda, como fizera anos atrás - teve de trancar matrícula por causa dos compromissos no futebol. Não foi à toa que acompanhou na cidade o Fashion Rio, no Museu de Arte Moderna. Aliás, local onde marcou seu último gol: conseguiu pessoalmente cumprimentar a modelo inglesa Naomi Campbell.

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