No Palmeiras, reforço só de diretor

A derrota por 3 a 0 para o São Paulo, a campanha medíocre da equipe no Campeonato Paulista e, principalmente, a fragilidade demonstrada pelo elenco causam desespero no torcedor do Palmeiras e nos dirigentes. Qual seria a solução para o time? Contratar reforços. Seria... A diretoria, porém, já anunciou que não fará praticamente nenhum investimento no futebol nos próximos meses. Jogador de peso? Nem pensar. A esperança é de que o recém-chegado Candinho encontre alternativas para mudar a situação. Tarefa difícil. E o medo já toma conta do Palestra Itália. Há quem lembre até do rebaixamento no Brasileiro de 2002, embora pareça exagero, apesar de a equipe estar apenas 3 pontos acima da zona do rebaixamento. "Não vai ser um ano fácil, o time é fraco, a defesa jogou muito mal contra o São Paulo, trouxemos o Marcel, ele começou bem e agora não está nem jogando, o Cristian também foi bem no Paraná e está com dificuldades", desabafou um influente dirigente do clube, que trabalha diretamente com o presidente Affonso Della Monica. "Mas não temos como contratar. Fomos atrás do (meia) Roger e o preço é US$ 3 milhões. Sem condições." De acordo com a cúpula alviverde, não adianta trazer atletas apenas regulares. O que não falta no grupo é jogador de nível médio. A alternativa seria levar para o clube alguém que decida, que faça a diferença numa partida. Mas, para isso, falta dinheiro, embora a situação financeira seja boa. Djalminha, que vai anunciar amanhã o fim da carreira, estava na mira até poucos dias atrás. Os dirigentes, porém, só queriam acertar com o meia se, antes, ele aceitasse fazer um mês de preparação no Centro de Treinamento e provasse ainda ter boas condições físicas. Della Monica, que hoje se reuniu com assessores e conselheiros, pensa em contratar um diretor de Futebol remunerado. Muita gente no clube diz que Mário Gianinni, o atual diretor, não vem atuando da forma como o cargo exige. Mas tem justificativa. Passou, há poucos meses, por uma cirurgia cardíaca. Na sexta-feira, o goleiro Marcos reclamou a ausência de um dirigente mais atuante no CT. Para ele, falta alguém que assuma a responsabilidade e tire a pressão dos atletas mais jovens, visivelmente abatidos com os resultados ruins da equipe. Sérgio repetiu o discurso do colega após a derrota para o São Paulo. No campo, o Palmeiras não ganha nenhum título de expressão desde 1999, quando foi campeão da Libertadores. Nos bastidores, o ambiente também é tumultuado. Situação e oposição brigam na Justiça por causa das eleições para o Conselho Deliberativo. No domingo, 76 conselheiros serão eleitos. O presidente vai ser definido em 14 de março.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2005 | 19h26

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