Celio Messias/Estadão
Celio Messias/Estadão

No reencontro com Dudu, Bernardo deseja recomeçar no Botafogo-SP

Após passado de polêmicas, meia de 26 anos quer recuperar carreira

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2017 | 07h00

Na base do Cruzeiro, Bernardo era o protagonista e Dudu, o coadjuvante. Hoje, às 17h, no Allianz Parque, os dois se reencontram em situação bem diferente para o jogo entre Palmeiras e Botafogo, pelo Campeonato Paulista. O palmeirense consolidou sua carreira com o desempenho na temporada passada, quando virou capitão e foi fundamental no título brasileiro, sendo convocado para a seleção. Já o botafoguense deseja recomeçar em Ribeirão Preto após acumular polêmicas.

O passado ainda gera irritação. O meia de 26 anos não gosta de relembrar suas histórias, quer olhar pra frente. “Lamento pelo que aconteceu. Hoje acabou. Quero apenas jogar futebol. Quando alguém toca no assunto, corto logo, prefiro pensar em coisas boas.”

O episódio mais conhecido aconteceu em 2013, quando Bernardo foi levado por traficantes até o Complexo da Maré. Ele sofreu tortura psicológica pelo suposto envolvimento com Dayana Rodrigues, namorada do chefe do tráfico no local, Marcelo Santos das Dores, o Menor P., atualmente preso no Paraná. À época, ele negou ter sido agredido. Segundo o delegado José Pedro Silva, da 21.ª DP, que investigou o caso, Bernardo foi salvo pelo jogador Charles, que nasceu na comunidade e convenceu o traficante a não matá-lo. “Prefiro não comentar, é uma coisa que aconteceu há muito tempo. As pessoas podem colocar (meu nome) no Google e ir em vida pessoal, que vai estar lá o que aconteceu.”

Ao ser questionado se sentiu medo de morrer, Bernardo disse que “em nenhum momento.” “Fiquei tranquilo. Sabia que não iria acontecer nada. Não fizeram nada.” E pediu: “Não vamos falar disso, mano.”

Ao acessar o Google, uma das maiores ferramentas de busca do mundo, é possível resgatar outros episódios polêmicos. O jogador foi acusado em 2015 de agressão pela então namorada Patrícia Melo, com quem hoje é casado, e ameaçou se matar. As fotos de Bernardo com uma faca pressionando o próprio pescoço e pulso circularam pelas redes. Ele teve ainda um vídeo íntimo vazado na internet.

“Faltou um pouco de equilíbrio na minha vida pessoal”, admite. “Se me cuidasse um pouco mais fora de campo, as coisas poderiam ser diferentes. Mas não posso ficar lamentando”, disse o meia, que vê o Paulistão como uma vitrine. “Espero que possa aparecer algo bacana.”

Ele foi contratado por indicação do técnico Moacir Júnior, que o conhecia do futebol mineiro. O vínculo é até maio. Contra o Palmeiras, Bernardo vai começar no banco, mas está motivado para dar um final feliz para sua história. “Ainda dá tempo de correr atrás. Quero jogar mais dez anos e ter uma carreira brilhante, conquistar títulos. Sonho grande. Quero voltar para algum clube grande, ganhar uma Libertadores, jogar fora (do Brasil)...”, projeta o meia.

O jogador garante que mudou, mesmo sem procurar ajuda psicológica. Prova disso é que sua passagem pelo Coritiba transcorreu sem nenhum problema. “As pessoas acreditaram que seria como antes e não foi. Levei uma vida tranquila.” 

Sobre o reencontro com Dudu, Bernardo se diz feliz pelo sucesso do ex-companheiro, mas avisa: “Não vou desejar sorte porque ele está do outro lado. Mas espero que ele possa fazer um grande ano”, finalizou.

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