No Rio, polêmica por causa do Fluminense

Previsto para começar sábado, o Campeonato Carioca já teve hoje o seu primeiro dia de "bagunça", por causa da disputa de bastidores entre cartolas pela mudança do local de estréia do Fluminense. Marcado para domingo, no pequeno estádio do Madureira, o confronto foi transferido para o Maracanã. Em carta enviada ao secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, o presidente do Fluminense, David Fischel, expôs seu temor com a possibilidade de ocorrer vários incidentes provocados pelo "apelo" da partida. Em campo, estarão estreando pelo Tricolor o atacante Edmundo e o meia Ramon, que farão parceria com artilheiro Romário. "A capacidade de público do referido estádio de futebol (o Aniceto Moscoso) é de dez mil pessoas, segundo o site oficial do Madureira", escreveu na carta o presidente Tricolor. "Ocorre que vários fatores, tais como a participação inaugural de atletas consagrados, tais como, Romário, Edmundo, Ramon e Leonardo Moura, e a ampla divulgação pela imprensa contribuíram para que a expectativa de público aumentasse para 60 mil pessoas." Diante das razões expostas, Garotinho determinou uma vistoria no estádio do Madureira, que constatou que o local "não comporta com segurança mais que seis mil pessoas". Por causa do resultado técnico, o político recomendou à Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ) que mudasse o local da partida e foi atendido. De férias no nordeste, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, informou que conversou por telefone com Fischel. Contou ter apoiado a iniciativa do dirigente tricolor, mas fez a ressalva de que a posição do Rubro-Negro seria tomada pelo departamento de Futebol do clube. "Conversamos e ele falou que precisava faturar com a estréia do Edmundo. Disse que concordava, porque todos os clubes do Rio estão em dificuldades", afirmou Braga. "Mas, ressaltei que não podia decidir nada, porque estou licenciado e cabia aos dirigentes do futebol do Flamengo decidir." Braga ainda frisou que não se envolverá no assunto, principalmente, porque o Flamengo está analisando a possibilidade de entrar na Justiça para impedir a mudança. "O que não pode ocorrer é o desequilíbrio técnico. Se o nosso departamento Jurídico acha que vai haver, deve tomar as medidas necessárias", argumentou o presidente do Rubro-Negro. O presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, disse apoiar a mudança, desde que fique claro que o estádio não tem condições de abrigar partidas. O dirigente afirmou, inclusive, que, com isso, não precisará enfrentar o Madureira, no Aniceto Moscoso, como prevê a tabela da competição. À noite, o procurador-geral de Justiça, Antonio Vicente da Costa Junior, mandou um ofício à FFERJ solicitando os laudos técnicos expedidos pelas "autoridades competentes (Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Secretaria de Segurança Pública)" atestando as condições de segurança e real capacidade de público dos estádios que serão utilizados no Campeonato Carioca. De acordo com o artigo 23 do Estatuto do Torcedor, a entidade responsável pela organização da competição deve apresentar aos Ministérios Públicos dos estados, antes da sua realização, esses laudos, o que até hoje não aconteceu. No documento, o Ministério Público Estadual ainda informa que o Fluminense entrou com uma representação na Justiça contra a federação e o Madureira alegando que o estádio Aniceto Moscoso "não tem segurança e nem conforto".

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2004 | 20h34

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