Silvia Izquierdo / AP
Silvia Izquierdo / AP

No Rio, torcida do Flamengo faz apoteose no estádio do Maracanã

Flamenguistas sofreram por boa parte do jogo, mas puderam comemorar no final com virada épica

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2019 | 20h20

Quase cinco mil quilômetros separam o Estádio Monumental de Lima, palco da final da Copa Libertadores, e o estádio do Maracanã, principal palco da campanha histórica do Flamengo na competição continental deste ano. Nem por isso o mais icônico estádio do País deixou de viver a sua decisão de Libertadores. Pelo menos 30 mil pessoas foram ao estádio assistir à decisão e, depois de um início tenso, fizeram uma apoteose.

Doze telões espalhados no interior do Maracanã - oito deles no entorno do gramado, o que direcionava o olhar da torcida das arquibancadas para o campo - deram um ar de jogo ali mesmo, onde o Flamengo jogou seis partidas da competição.

“É como se o jogo fosse aqui, mas um pouco mais tenso, porque dá para ver os replays, rever os erros. E o primeiro tempo foi uma porcaria”, comentou Letícia Medeiros, de 25 anos, no intervalo da partida. “Está muito parecido com um jogo no Maracanã, mas o gol que a gente tomou fez a torcida ficar mais quieta”, opinou Leandro Especier, de 24 anos.

A opinião da torcida ao fim dos primeiros 48 minutos de jogo espelhava bem o clima do Maracanã. O gol de Borré, que abriu o marcador para o River Plate aos 14 minutos, fez o estádio ficar num silêncio como há muito não se via. Do clima de festa que se fez desde o início da tarde, graças a shows de Ludmilla, DJ Marlboro, Buchecha e Ivo Meirelles, o que se viu depois daquele gol argentino foi uma quantidade infindável de gente roendo unhas e franzindo o cenho.

O retorno promissor do Flamengo para o segundo tempo, em Lima, deu nova cara de jogo ao Maracanã. O chute de Gabriel Barbosa logo a um minuto, mesmo que fraco, devolveu esperança à torcida. Aos poucos, o estádio carioca foi se inflamando. A torcida passou a cantar, e, mesmo o tempo correndo contra o time, não arrefeceu o ânimo de ninguém.

O gol de empate do Flamengo, já quase ao fim da partida, foi a senha para o torcedor rubro-negro começar de fato a voltar a pensar em título. E quando Gabriel, que todos no Rio chamam de Gabigol, aproveitou falha da zaga argentina para virar o jogo, o Maracanã viveu finalmente a sua verdadeira - mas muitas vezes esquecida - vocação: a de fazer o torcedor feliz.

“Nós temos Jesus! Nós temos Jesus”, vibrava quase às lágrimas a torcedora Cláudia Silva, 47, ao fim da partida, sem deixar claro se a referência era somente ao técnico português do Flamengo - que, como de costume, teve seu nome gritado em uníssono no estádio carioca ao fim da partida.

“Aqui é Flamengo. O primeiro tempo foi ruim, mas nós estamos com o Flamengo até cair, porque depois de cair, a gente levanta”, completou Cláudia.

E o torcedor não arredou o pé até que os telões exibiram os jogadores, a quase cinco mil quilômetro dali, levantarem a cobiçada taça da Copa Libertadores.

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