No Santos, só Elano e Paulo Almeida falam

O Santos ainda não conseguiu superar o trauma da goleada de 4 a 0 sofrida diante do São Caetano nas semifinais do Campeonato Paulista. Com a desculpa de que a maioria aproveitaria o fim de semana livre, viajando para o interior para visitar familiares, após o treino desta sexta-feira cedo, no CT Rei Pelé, o último antes de nova folga prolongada (dois dias), os jogadores não quiseram atender a imprensa. As exceções foram Elano e Paulo Almeida. Envergonhados pelo vexame, nos três últimos dias, os jogadores chegaram ao Centro de Treinamentos indo direto para os vestiários e saiam com os vidros dos carros fechados, geralmente enquanto Leão estava dando a coletiva, e nem olharam para o reservado onde são feitas as entrevistas."Sabemos de nossas qualidades e que temos condições de reagir. Não vejo motivo para fugir e nem acredito que o torcedor vai perder a confiança no time. Antigamente, nos jogos da Vila Belmiro, a torcida não comparecia porque não acreditava na equipe. Ultimamente, teve razão para ficar com uma ponta dúvida", avalia o meia Elano, que desde que retornou da Seleção Pré-Olímpica, ainda não voltou a jogar bem. "Não estou no melhor da minha forma, mas me esforço para recuperar o peso (está dois quilos abaixo do ideal) e o meu futebol. Tenho conversado com Leão e estou tranqüilo."Paulo Almeida acredita que uma vitória contra o Jorge Wilstermann recolocará o time no caminho certo. "Estamos trabalhando não para ser o novo Santos, mas para voltarmos a ser o novo-velho Santos, aquele time que marcava o adversário no campo inteiro, retomava a bola e partia em velocidade, com troca rápidas de passes, na direção do gol."Como o Santos já garantiu a classificação em primeiro lugar do Grupo 7 da Copa Libertadores da América, o jogo contra o Jorge Wilstermann, da Bolívia, quarta-feira, às 21h45, na Vila Belmiro, não passaria de um simples amistoso se o time não tivesse deixado escapar a grande chance de sair da fila de 20 anos no Campeonato Paulista.Agora, Leão e os jogadores consideram a partida contra os bolivianos a oportunidade para marcar o que o técnico chama de a nova fase. "Vai valer não só pelo resultado mas também pela representatividade", disse o técnico, que já espera ter o retorno do trabalho que começou a desenvolver na quarta-feira. "Temos que melhorar o nosso comportamento tático. Deixar de lado o glamour ofensivo, voltando a marcar mais, como fazem todos os times de fora que disputam a Libertadores. A nossa técnica é indiscutível, mas estamos ficando para trás no plano tático."Prática - Para demonstrar que não está apenas discursando, no treino desta sexta-feira cedo, Leão exigiu rigor na marcação. Diego foi orientado para dar combate ao volante adversário até a grande área do seu time. O técnico também vem dando exercícios físicos com bola. "Dessa forma, aproveitamos para melhorar o condicionamento atlético do grupo". Na verdade, foi o primeiro treino forte da semana e chegou a impressionar até o presidente do Conselho Deliberativo, José da Costa Teixeira, que esteve no CT, com o vice da diretoria, Norberto Moreira.Depois do vexame de sábado, em São Caetano, os jogadores tiveram três dias de folga, retornaram apenas no final da tarde da quarta-feira e treinaram durante uma hora, além de ouvirem uma hora de cobranças do presidente Marcelo Teixeira. Na quinta-feira cedo, quase duas horas. Depois do treino desta sexta-feira, os jogadores foram dispensados até segunda-feira, quando vão treinar em dois períodos.

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