Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

No sufoco, Palmeiras ganha do Jorge Wilstermann com gol no último lance

Mina garante vitória sofrida para o Alviverde, pela Libertadores

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 23h50

Sonhar com o título da Copa Libertadores implica ter de ganhar em casa a qualquer custo, mesmo com gol no fim e em atuação pouco inspirada. Essa cartilha o Palmeiras vivenciou nesta quarta-feira, ao conseguir na marra superar o Jorge Wilstermann, da Bolívia, no Allianz Parque. A vitória foi por 1 a 0, com gol do zagueiro Mina nos acréscimos.

Não fosse o gol aos 50 minutos do segundo tempo o Palmeiras lamentaria de forma amarga o resultado. Os três pontos estão na conta, com direito à lição de como ter paciência pode render vitórias mais tranquilas nas próximas partidas. O time não desistiu, mas se superou para vencer a retranca boliviana.

O empate na estreia, semana passada, havia sido um grande lucro e digno de elogios. Se o Palmeiras jogou 70 minutos com um a menos e segurou o Atlético Tucumán, na Argentina, superar o Jorge Wilstermann no Allianz Parque seria o resultado mais lógico. Porém, essa dedução pareceu ser prejudicial, ao fazer o time ficar ansioso pela responsabilidade.

A estreia em casa do Palmeiras pela Libertadores levou o maior público da história da arena em um jogo da competição, mais de 38 mil pessoas, e lotou as ruas da região. A torcida organizou uma calorosa recepção ao ônibus do elenco, o chamado corredor alviverde. Sinalizadores, gritos e foguetórios conduziram a delegação à arena. A mensagem era clara: a equipe teria apoio, mas também precisava corresponder.

O técnico Eduardo Baptista mudou ao definir o 4-1-4-1 como esquema tático. O problema principal no primeiro tempo não foi essa escolha, mas sim o excesso de jogadas do time pelo centro, em vez das laterais. A falta do gol manteve a eufórica multidão controlada pelo suspense. O jogo não fluía porque o Palmeiras caiu nas armadilhas habituais da Libertadores. A pressa fez as finalizações saírem tortas e tornou os passes imperfeitos.

Os bolivianos tiveram méritos, é claro. A linha de impedimento, a organizada defesa e o esforço em ganhar tempo dificultaram bastante as investidas adversárias. Chegar ao ataque foi quase proibido.

A angústia com as falhas desafiou a paciência da torcida. Essa reação enervou o Palmeiras. O time gastou  tempo com rondas pelo campo ofensivo em busca de um espaço para infiltrar a área rival. O processo trabalhoso quase sempre terminou com algum cruzamento.

A tensão piorou ao longo do segundo tempo. Teve gol anulado, decisões confusas da arbitragem e chances perdidas. Enquanto isso, o relógio corria, para piorar o nervosismo. O técnico resolveu colocar três atacantes, impôs uma blitze e foi premiado no último golpe. Róger Guedes achou um cruzamento para Mina empurrar para as redes e salvar a primeira noite de Libertadores na arena em 2017.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS: Fernando Prass; Jean, Mina, Edu Dracena e Zé Roberto; Felipe Melo; Michel Bastos (Keno), Tchê Tchê (Willian), Guerra (Róger Guedes) e Dudu; Borja. Técnico: Eduardo Baptista.

JORGE WILSTERMANN: Olivares; Morales, Alex Silva, Zenteno (Diaz) e Aponte; Machado, Ortiz, Saucedo, Bergese (Cardozo) e Thomaz Santos; Cabezas (Olego). Técnico: Roberto Mosquera.

Gol: Mina, aos 50 minutos do segundo tempo.

Árbitro: Eduardo Gamboa (Chile)

Cartões amarelos: Bergese, Cabezas, Thomaz Santos, Alex Silva, Mina, Aponte, Olivares.

Cartão vermelho: Olego

Renda: R$ 2.565.095,57.

Público: 38.419 torcedores.

Local: Allianz Parque, em São Paulo.

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