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No Sul, São Paulo aposta nos dois 'Aloísios'

Atacante apelidado de 'Boi Bandido' é tímido, introvertido e avesso a badalações na vida pessoal

Gonçalo Junior, SÃO PAULO

27 de outubro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Aloísio tem duas personalidades. A primeira é valente, brigadora e fez a torcida se esquecer de Luis Fabiano (em fase final de recuperação de uma contusão). A segunda face do atacante é tímida, reservada, jamais pularia sobre os companheiros para comemorar um gol e só fala quando lhe perguntam alguma coisa. Os dois Aloísios representam a principal opção de ataque do São Paulo hoje contra o Inter, em Caxias do Sul. Aloísio precisou pegar o touro à unha para chegar até aqui. Começou a jogar em sua terra natal, Araranguá, no sul de Santa Catarina, e percorria uns dez quilômetros de bicicleta até a escolinha. Saiu de casa aos 12 anos, perdeu o pai aos 15 e foi jogar na Suíça aos 19. Cada passagem deixou sua marca. No final da carreira, espera voltar para sua terra natal para compensar a distância da família. E também para lamber os beiços com a polenta com galinha de sua mãe. Gostaria que o pai estivesse presente para vê-lo jogar no Morumbi. “Penso sempre nele. Sinto bastante a falta do meu pai e gostaria que ele conhecesse um pouco das coisas boas que estou vivendo no São Paulo”.

Da Suíça, onde atuou pelo Chiasso entre 2007 e 2008, trouxe o italiano fluente e a vontade de ficar por aqui mesmo. Araranguá está viva. Ele foi escolhido pela prefeitura como cidadão ilustre em uma publicação do principal jornal de Santa Catarina. “Ele é motivo de orgulho para a cidade. Por onde vai leva o nome da nossa terra. Seu sucesso é o nosso sucesso”, elogia Luciano Pires, secretário de Esportes do município. Na volta ao Brasil, disputou duas edições da Série C com o Caxias, teve passagem tão rápida quanto vitoriosa pela Chapecoense. Com quatro meses de clube, conquistou o Campeonato Catarinense, sendo o artilheiro na competição, com 14 gols. A boa campanha chamou a atenção do Figueirense, que foi atrás de investidores para contratá-lo.

A história de vida, cheia de altos e baixos, não aparece quando ele comemora os gols de seu jeito característico, com uma voadora sobre os companheiros. "É uma felicidade quando ele marca. Ele fica pulando lá e a gente chora aqui", conta, orgulhosa, a mãe, Maria Madalena Mateus dos Santos. "A gente começa a ficar com medo de fazer gols. Ele é louco", brincou Muricy Ramalho. O treinador pensa exatamente o contrário. Quando mais voadoras, melhor. Aloísio simboliza a recuperação do São Paulo na tabela – depois de 13 rodadas na zona de rebaixamento, está em 10º e venceu quatro dos últimos cinco jogos – e também o ressurgimento do ataque. Nos últimos três jogos, o catarinense anotou três vezes, Ademilson e Welliton fizeram mais dois cada um. Tudo isso sem Luis Fabiano, contundido. "Nosso ataque melhorou e isso traz confiança para todo time", elogia Muricy Ramalho.

Os dois Aloísios estarão em campo hoje para manter a escrita. Essa divisão de personalidades, no entanto, começa a incomodar. Aloísio gosta do apelido Boi Bandido, uma homenagem ao seu estilo valente – dentro de campo –, mas teme perder sua identidade. “Um torcedor me chamou de Boi Bandido, mas não sabia meu nome. Aí, não dá”, diz, balançando a cabeça.

FICHA TÉCNICA

INTERNACIONAL x SÃO PAULO

INTERNACIONAL - Muriel, Gabriel, Jackson, Juan e Fabrício; João Afonso, Jair, Jorge Henrique e D’Alessandro; Otávio e Leandro Damião. Técnico: Clemer.

SÃO PAULO - Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rafael Toloi e Edson Silva, Douglas, Wellington, Rodrigo Caio, Ganso e Reinaldo; Ademilson e Aloísio. Técnico: Muricy Ramalho.

JUIZ - Péricles Bassols Cortez (RJ).

LOCAL - Centenário, em Caxias do Sul.

HORÁRIO - 16h.

TRANSMISSÃO - Globo e Band.

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