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No último ato da temporada, Palmeiras bate o Grêmio e ganha a Copa do Brasil

Alviverde encerra como o maior vencedor neste ano; era para ser tudo mais alegre e colorido, mas não foi por causa da pandemia da covid-19

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2021 | 21h05

Ninguém no Brasil esperava que a temporada 2020 chegasse ao fim da mesma forma que ela começou, discutindo a paralisação ou não do futebol, com o País trancado em função da pandemia da covid-19 e ainda sem uma unidade nacional para combater a doença. Tudo andou muito precariamente nesse período esportivo, com o adiamento dos Jogos Olímpicos e agora a possibilidade de realizá-lo em Tóquio sem torcida estrangeira, com o cancelamento de torneios e provas de todas as modalidades, a exemplo do que ocorre neste mês, após Fifa e Conmebol adiarem novamente as partidas das seleções nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Tudo parece um loop do sistema na vida real.

As cortinas do futebol 2020 são baixadas com a conquista do Palmeiras da Copa do Brasil, a quarta em sua história e a terceira taça nesta temporada. Foi o time mais vencedor do País neste ano terrível de pandemia, mortes e desemprego, festejando uma tríplice coroa, com a Libertadores e o Paulistão.

Era para ser tudo mais alegre e colorido, com mais festas e comemorações. Não foi. 2020 se fez histórico por outros motivos. Para muitos, o futebol deveria ter parado. Ele é visto como provocador num momento triste da nossa história, e também porque expõe jogadores, técnicos e profissionais envolvidos com ele. Há aqueles, porém, que encontram nos 90 minutos de um jogo um alento para tanto sofrimento. Ver seu time em ação ou o rival, que seja, é um pingo de alegria nesse mar de tristeza com tantas mortes provocadas pelo coronavírus. Os argumentos dos dois lados são aceitos.

Para que o futebol 2020 chegasse ao seu último ato, as entidades, como CBF e federações estaduais, colocaram em prática uma cartilha com protocolos sanitários, recursos financeiros e uma quantidade assustadora de exames para a covid-19. Superou a marca de 50 mil testes em todas as divisões. Os clubes, por sua vez, tiveram de seguir condutas até mais rígidas para ter seus jogadores seguros. Nem sempre isso deu certo. Surtos acometeram equipes ao longo do ano, exatamente como ocorre nesse momento, a exemplo do combalido Corinthians.

Também repetindo o sentimento do começo da temporada, há muitos profissionais do esporte assustados com a doença. Pairam incertezas. Lisca, treinador do América-MG, gritou alto pela paralisação do futebol neste mês, quando os números de óbitos diários do Brasil se aproximam dos 2 mil. Seu apelo dividiu opiniões. O colega Renato Gaúcho defendeu o contrário, dizendo que o futebol tem servido de entretenimento para as pessoas e que ele segura o torcedor dentro de casa.

É fato, no entanto, que no gigante Brasil, torneios regionais de 2021 decidiram parar. É o caso, por exemplo, do futebol de Santa Catarina. Há outros na mesma condição. Em São Paulo, a bola ainda rola. Mas as partidas finais da Copa do Brasil tiveram apelo para que o torcedor não aparecesse nas imediações dos estádios, tanto em Porto Alegre, cujo horário foi empurrado para 21h, quanto em São Paulo, com intervenção da polícia numa cidade em fase vermelha.

O futebol continua sendo importante para todos, e assim será sempre no Brasil, antes da covid-19, em meio à pandemia e depois da doença. É preciso, no entanto, avaliar as condições do Brasil em relação ao coronavírus para saber como se deve proceder. A doença nos faz reavaliar condutas semanalmente, e o esporte não pode ficar fora disso, dentro de uma bolha que não existe mais. Neste momento, em casa, seguro, o torcedor do Palmeiras deve festejar a conquista do seu time. O adeus de 2020 é um recomeço. 

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