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Antero Greco
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Noivado alvinegro

No começo era o flerte, comum para todos os 20 pretendentes. Com o tempo, virou namoro descontraído, depois passou para a etapa do "firme" e agora se transformou em noivado. O compromisso do Corinthians com a taça do Brasileiro de 2015 se consolida à medida que a competição avança. Se, ao término de 38 rodadas, se transformará em união perfeita, ainda não se pode cravar. Mas os indícios levam para o desfecho feliz.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 03h00

O caminho alvinegro se torna sereno por vários motivos. O primeiro, e mais notável: os corintianos fazem a parte deles, com vitórias e empates que se acumulam com generosidade e competência. Os 3 a 0 sobre o Joinville, na manhã de domingo, no Itaquerão, representaram a 17.ª apresentação sem rodada. É muita coisa.

Além disso, os concorrentes diretos tropicaram no domingo de reta final de inverno – o Grêmio não resistiu aos contragolpes certeiros do São Paulo, com os 2 a 1, em Porto Alegre. O Atlético-MG suou para arrancar um ponto do Cruzeiro e empatou (1 a 1) o clássico no Mineirão em cima da hora, com direito adicional a milagre de Victor nos acréscimos, ao defender pênalti. Os gaúchos estão 9 pontos atrás do Corinthians, enquanto os mineiros viram a distância abrir de novo para cinco.

A prudência e o bom senso – também conhecidos como ficar no muro – indicam que não se pode cravar Corinthians campeão nacional pela sexta vez por faltarem 13 rodadas ou 39 pontos em disputa para todo mundo. Há equilíbrio, existem os imprevistos, diversos desafios são complicados para os líderes e etc e tal. Enfim, tudo o que conhecemos e que, à maneira do Conselheiro Acácio (personagem das observações óbvias criado por Eça de Queiroz), se deve levar em conta.

Ora, prever sempre o lógico, sobretudo quando este ganha dimensão irreversível, é moleza. Assim, não há risco de o cronista errar jamais. O divertido do ofício de falar sobre futebol está no fato de que a análise de tendências ajuda na projeção do que virá. E, na toada como se desenvolve a Série A, o Corinthians só deixa de dar volta olímpica se tiver queda acentuada de rendimento.

Oscilação que, no momento, parece fora de cogitação. Alguém pode lembrar que, antes do resultado do domingo, havia cedido pontos nos empates com Palmeiras e Grêmio. Verdade. Ou melhor, meia-verdade. Aqueles foram clássicos, desafios com rivais de tradição e/ou qualidade superior. Numa leitura otimista, o Corinthians saiu no lucro – e saiu mesmo, como se viu.

O roteiro contra o JEC foi o que se esperava de quem comanda a tabela. O Corinthians com força máxima não teve dificuldade para superar outra etapa para o sucesso. O time catarinense resistiu pouco mais de meia hora; a partir do primeiro gol (de Malcom), notou que ficaria só na vontade o projeto de ao menos empatar, como nos três 0 a 0 anteriores ao jogo em São Paulo.

O Corinthians recobrou a harmonia entre os setores, com retorno de alguns titulares. Os laterais funcionaram na defesa e no ataque (Uendel fez gol), o meio-campo cresceu com a regência de Elias e Renato Augusto e na frente Vagner Love deixou a marca do artilheiro – após perder chance e tanto no primeiro tempo. Timão em águas calmas.

Mar revolto. A onda virou para o Santos, outro protagonista da sessão matinal de domingo. A turma de Dorival Júnior botava medo com a subida louvável, mas levou bordoada da Ponte Preta. Um desavisado que não soubesse a situação das duas equipes, poderia imaginar que os campineiros brigassem pelo G-4 tal a leveza com que fizeram 3 a 1, fora outras chances. Ficou no ar a sensação de salto alto dos santistas.

Tricolor imprevisível. O torcedor do São Paulo pode queixar-se de muita coisa, menos de tédio com o time deles. Vai do céu ao inferno de uma rodada para outra. Nesta foi o céu, com direito a pensar no G-4. O São Paulo de Osorio contraria qualquer tentativa de análise linear.

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