Normas de uso do árbitro de vídeo saem até o mês de julho

CBF estuda protocolo de atuação de juízes com nova tecnologia que, segundo dirigente, deve se ater a lances ‘inequívocos’

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 07h00
Atualizado 09 de março de 2016 | 09h50

A Comissão de Arbitragem da CBF espera concluír até o meio do ano o protocolo necessário para colocar em prática o uso do árbitro de vídeo. O objetivo é adotar o recurso no fim de julho ou início de agosto, no Campeonato Brasileiro da Série A. Para isso, é preciso estabelecer as normas de funcionamento.

O uso experimental do árbitro de vídeo foi aprovado no sábado pela International Board, órgão responsável por regulamentar as regras do futebol. Apenas em 2018 haverá decisão sobre adoção definitiva ou não do recurso.

Cálculos da CBF estimam em R$ 15 milhões custo da implantação do sistema. O valor será gasto essencialmente com a compra de equipamentos, e também com treinamento de árbitros e pessoal da área técnica.

A fase atual de estudos está destinada a estabelecer modos de procedimento. Detalhes como, por exemplo, a maneira como o árbitro de campo vai informar a jogadores e público que a decisão sobre um lance analisado foi a tomada inicialmente por ele – que nesse caso será mantida – ou foi reformulada após o auxílio do árbitro de vídeo. A palavra final sempre será do árbitro de campo.

"Temos de concluir todo o protocolo para então colocar em prática. E também será preciso divulgar bastante, para que todos saibam como vai funcionar", disse ao Estado Manoel Serapião Filho, diretor técnico da Escola Nacional de Arbitragem do Futebol e responsável pelo projeto enviado pela CBF à Board, e que serviu de base para a aprovação dos testes.

O "pacote" relacionado à experiência com o árbitro de vídeo não está fechado, embora as diretrizes básicas já estejam estabelecidas. No dia 11 de abril, encontro do painel consultivo técnico da Board a ser realizado na Alemanha vai discutir ideias para o estabelecimento de normas.

DISCUSSÃO

Mudanças podem ocorrer. Serapião, por exemplo, é contra a sugestão da Holanda de usar o árbitro de vídeo também para lances interpretativos. "Creio que nesse primeiro momento é melhor nos atermos aos lances claros e inequívocos", prefere. "Tirou a bola com a mão ou não? A falta foi fora ou dentro da área?"

Do formato final sairá a definição sobre se serão utilizados um ou dois árbitros e a quantidade de câmeras. No Brasileirão, o recurso, quando adotado, será utilizado em todos os jogos – com o mesmo número de câmeras. Os equipamentos serão móveis, retirados após as partidas, e todos os estádios terão de destinar um espaço específico para acomodar equipamentos e árbitros de vídeo – Serapião defende que ex-juízes possam ser treinados para atuar.

De acordo com ele, a CBF prefere criar uma estrutura que lhe permita fazer a geração das próprias imagens dos jogos. Mas também se fala nos bastidores em fazer associação com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Brasileiro, a fim de reduzir os custos. Procurada pelo Estado, a emissora, por meio de seu departamento de comunicação, disse que "não recebemos nenhum pedido oficial de ajuda neste projeto".

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